A 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17) começou nesta segunda-feira (19), em Yerevan, na Armênia, com um alerta sobre o atraso no cumprimento das metas globais de proteção da natureza. O encontro, que segue até 30 de outubro, vai avaliar os compromissos assumidos pelos países para conter a perda de biodiversidade até 2030.
Pela primeira vez, os participantes farão uma revisão coletiva do Marco Global de
Kunming-Montreal. O acordo, firmado em 2022, estabelece 23 metas ambientais. Entre elas, está a proteção de pelo menos 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta até o fim da década.
No entanto, os resultados ainda estão abaixo do esperado. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), se o ritmo atual continuar, apenas 26% dos ecossistemas terrestres e 12% dos marinhos estarão protegidos em 2030.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, reconheceu avanços na criação de áreas protegidas, mas cobrou medidas mais rápidas dos governos.
“Yerevan é o nosso momento de prestação de contas”, afirmou.
Um estudo do Global Cooperation Institute (GCI), elaborado a pedido do WWF, também aponta atrasos nas metas. Além disso, relaciona a degradação ambiental à escassez de água, à insegurança alimentar e aos riscos para a saúde.
Segundo a análise, os impactos ambientais não contabilizados pela economia representam custos estimados entre US$ 10 trilhões e US$ 25 trilhões por ano.
O Brasil participa da COP17 com propostas voltadas à conservação de ecossistemas terrestres, de água doce e marinhos.
Uma das prioridades é ampliar a conectividade ecológica. A estratégia busca ligar áreas protegidas por meio de corredores verdes e azuis, permitindo a circulação das espécies e contribuindo para a manutenção dos ecossistemas.
O WWF-Brasil pretende defender a inclusão dessa abordagem no Programa de Trabalho sobre Áreas Protegidas da Convenção sobre Diversidade Biológica.
“A conservação da biodiversidade exige olhar para além dos limites de áreas protegidas individuais e considerar os ecossistemas como sistemas interligados”, explicou Marcelo Oliveira, diretor técnico de Biodiversidade do WWF-Brasil.
Além da conservação, a conferência discutirá financiamento, cooperação internacional e medidas para acelerar a recuperação de áreas degradadas. O objetivo é transformar os compromissos ambientais em resultados concretos até 2030.
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