Uma iniciativa articulada a partir da Conferência Sustentabilidade Brasil 2025 começou a ganhar forma no Espírito Santo com o objetivo de fortalecer a transição energética no transporte. A proposta reúne instituições públicas, setor produtivo, agência reguladora e pesquisadores em torno da criação de um corredor sustentável para ampliar o uso de gás natural veicular e biometano no Estado.
A articulação teve origem nas discussões do Grupo de Trabalho 3 da conferência, que debateu o “Plano de ação integrado do Espírito Santo para o mutirão global pela transição energética: a contribuição do gás natural e do biometano na rota do desenvolvimento verde até o NetZero”. Entre os participantes estava Rafael de Rezende Coelho, servidor do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), graduado em Ciências Biológicas e mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local.
Segundo ele, a iniciativa denominada “Gás para Mover” existia dentro da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP). A proposta, no entanto, encontrou no evento um ambiente favorável para aproximar instituições estratégicas e ampliar a coordenação em torno do tema.
“O objetivo dela é fomentar a ampliação do consumo ao gás natural veicular e biometano em veículos, por meio da regulamentação da ampliação de pontos adequados e adaptados nas principais rodovias e rotas, permitindo trajetos com maior autonomia e utilização de combustível eficiente e sustentável”, explicou Rafael.
O IJSN já acompanhava o tema por meio do Sistema de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas do Espírito Santo (SiMAPP), com a realização de uma Análise Executiva de políticas consideradas estratégicas para o Programa Capixaba de Mudanças Climáticas (PCMC), da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama).
Durante esse processo, a equipe de pesquisadores do IJSN identificou que experiências bem-sucedidas de corredores de gás natural e biometano, já implementadas na Europa e em outros estados brasileiros, tinham um ponto em comum: a necessidade de ação coordenada entre os principais atores envolvidos.
De acordo com Rafael de Rezende Coelho, essa integração era essencial porque a iniciativa depende de decisões e investimentos de diferentes frentes, como distribuição de gás, produção de biometano, regulação, tarifas, frotas sustentáveis, pesquisas e políticas de descarbonização.
“O que depois ficou muito óbvio, claro, afinal quem vai investir na rede de distribuição do gás, a ESGás, precisaria estar conversando com quem vai investir na produção do biometano, a Marca Ambiental, assim como com quem trabalha na questão do ambiente regulatório e na modicidade tarifária, ARSP e Abiogás, com quem vai investir em frotas mais sustentáveis, Semobi, com quem coordena as ações de descarbonização e enfrentamento às mudanças climáticas no Estado, Seama, com quem desenvolve estudos e pesquisas sobre o tema, Ufes e IJSN, entre outros”, afirmou.
Foi justamente nesse ponto que a Conferência Sustentabilidade Brasil 2025 passou a ter papel decisivo. O grupo de trabalho reuniu parte dos atores envolvidos na pauta e abriu caminho para uma conversa mais específica sobre o corredor de gás natural e biometano no Espírito Santo.
“Nós, do IJSN, vimos a oportunidade de nos aproximar deles, explicar a ideia e chamar todos para uma conversa mais específica sobre o corredor de gás natural e biometano do Espírito Santo”, disse.
A partir dessa aproximação, o IJSN e a ARSP organizaram o encontro interinstitucional “Corredor Sustentável ES”, realizado em 19 de agosto de 2025, no auditório do IJSN. O evento reuniu instituições que já haviam participado da conferência e incluiu novos atores considerados relevantes para a estratégia dos corredores.
Entre os convidados estiveram Sindipostos, Detran-ES, Sindirepa-ES, Secretaria de Economia e Planejamento (SEP) e Secretaria de Desenvolvimento (Sedes), esta última em razão da iniciativa interinstitucional ES Mais Gás.
O trabalho também teve desdobramentos em publicações. Além da “Carta do Espírito Santo à COP30”, coordenada por Felipe Ramaldes, da BMJ Consultores, com contribuições do que foi debatido no grupo de trabalho da conferência, foi definida a produção da publicação “Corredor Sustentável ES: Caminhos para a Transição Energética”.
Segundo Rafael, a publicação busca dar publicidade e formalidade à estratégia coletiva que vem sendo construída no estado. Para ele, a importância do trabalho está na capacidade de integrar instituições e fortalecer a governança em torno da agenda de sustentabilidade.
“A aproximação e a integração das estratégias desses diferentes stakeholders, importantes para a implementação exitosa do corredor de gás natural e biometano no Espírito Santo, trouxeram muitos aprendizados, maiores chances de sucesso, assim como fortaleceram a governança sobre a iniciativa, uma vez que torna-se mais difícil sua descontinuidade, já que há muitos atores e instituições envolvidas e engajadas”, avaliou.
O corredor sustentável capixaba também pode contribuir para conectar iniciativas semelhantes em outros estados, criando uma rede mais ampla de abastecimento e circulação com combustíveis de menor impacto ambiental.
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