Três novas espécies de plantas da Mata Atlântica entraram para os registros científicos. Pesquisadores encontraram exemplares no Espírito Santo e em Minas Gerais. Uma das plantas, a Pleroma leucotrichum, ocorre apenas na região da Pedra dos Cabritos, em Castelo, no Sul capixaba, e já apresenta risco de extinção.
O estudo, publicado em outubro na revista científica Phytotaxa, contou com a participação do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA). Segundo os pesquisadores, duas das três espécies apresentam risco de extinção, conforme avaliação preliminar.
Além da Pleroma leucotrichum, classificada como em perigo, os cientistas identificaram a Pleroma latisepalum, considerada vulnerável, nos municípios mineiros de Itaipé e Novo Cruzeiro. Já a Pleroma squamipilosum ocorre em Nova Venécia, no Espírito Santo, e em localidades de Minas Gerais. Nesse caso, ainda faltam informações para avaliar o risco de extinção.
As três espécies pertencem à mesma família das quaresmeiras e crescem em inselbergues, grandes formações rochosas isoladas na paisagem. Nesses ambientes, as plantas enfrentam solos rasos, exposição intensa ao sol e pouca disponibilidade de água.
“Os inselbergues possuem uma flora muito particular, que muitas vezes não é encontrada nas florestas ao redor. As novas descobertas mostram que ainda conhecemos pouco a diversidade desses ambientes”, explica Dayvid Rodrigues Couto, pesquisador vinculado ao INMA e à Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Para identificar as espécies, os pesquisadores analisaram folhas, flores e estruturas reprodutivas. Além disso, compararam os exemplares com materiais de coleções botânicas e descrições científicas anteriores.
A conservação das plantas preocupa os cientistas. Em Castelo, a Pleroma leucotrichum cresce em pequenos grupos fora de unidades de conservação. A região concentra atividades de extração de rochas ornamentais e também sofre pressões da agropecuária e do turismo de aventura.
“A descoberta de novas espécies mostra que ainda há muito a conhecer sobre a biodiversidade da Mata Atlântica. Quando essas plantas ocorrem em áreas tão pequenas, qualquer alteração no ambiente pode comprometer sua sobrevivência”, afirma Renato Goldenberg, pesquisador da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
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