Uma nova espécie de sapo encontrada no litoral do Espírito Santo acaba de entrar oficialmente para a ciência já sob forte risco de desaparecer. A Dryadobates caissara vive em um pequeno fragmento de Mata Atlântica entre Costa Bela e Praia de Capuba, na Serra, onde restam cerca de 38 hectares de vegetação.
A área perdeu aproximadamente 30% da cobertura florestal desde 2011, quando tinha cerca de 54 hectares. Por causa da distribuição extremamente restrita e da pressão sobre o habitat, os pesquisadores recomendam que a espécie seja classificada como criticamente em perigo de extinção.
O sapo mede cerca de 13 milímetros e é considerado o menor entre as espécies conhecidas do gênero Dryadobates. A identificação ocorreu depois de análises genéticas mostrarem que exemplares coletados anteriormente no Espírito Santo pertenciam a uma espécie ainda não descrita.
Em 2024, pesquisadores voltaram à região para confirmar a descoberta. Eles encontraram a espécie apenas no fragmento menor, além de sinais de incêndio, corte de árvores, lixo e avanço de construções nas proximidades.
A vocalização também chamou a atenção. Os machos podem cantar continuamente por quase dois minutos, em sequências com mais de cem notas.
A preservação da mata restante é considerada essencial porque esses anfíbios dependem de ambientes úmidos. Os ovos ficam entre folhas no solo e, depois da eclosão, os machos carregam as larvas até a água.
Para os pesquisadores, a descrição científica da espécie é um passo importante porque permite que ela passe a ser considerada em ações de conservação e avaliações ambientais.
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