O Amazonas registrou um aumento de 271% nos focos de incêndio nos dez primeiros dias de outubro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o número saltou de 372 para 1.380 ocorrências. Com o avanço das queimadas, 36 municípios entraram em situação de emergência.
O levantamento mostra que 1.186 focos ocorreram em áreas públicas, 93 em propriedades privadas e 101 em áreas sem situação fundiária definida. Além disso, o monitoramento identificou 174 registros relacionados ao desmatamento.
Entre os municípios mais atingidos está Lábrea, no sul do Amazonas, que contabilizou 225 focos, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Boca do Acre e Autazes também aparecem entre as localidades com maior concentração de incêndios.
Governo suspeita de incêndios criminosos
Após sobrevoar as regiões atingidas, no domingo (11), o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que os incêndios têm origem humana. Segundo ele, as equipes identificaram focos em áreas de floresta preservada, o que levanta suspeitas de ações criminosas para degradar a vegetação e facilitar o desmatamento.
“É fundamental que as pessoas que estão agindo criminosamente vejam que serão punidas”, afirmou Capobianco.
A estiagem também agrava a situação, pois a vegetação seca favorece a propagação das chamas.
Para conter o avanço do fogo, o governo federal mobilizou aeronaves e brigadistas. Na segunda-feira (12), a Força Aérea Brasileira (FAB) iniciou operações com um avião KC-390, capaz de lançar 12 mil litros de água por voo. A previsão é realizar três lançamentos por dia. Outra aeronave atua no apoio logístico.
A operação também conta com aviões menores, helicópteros e 290 brigadistas. Além disso, o governo federal disponibilizou R$ 45 milhões desde 2024 para fortalecer a estrutura do Corpo de Bombeiros do Amazonas, dos quais R$ 34,7 milhões já foram liberados.
Fumaça compromete a saúde em Manaus
Enquanto as equipes combatem as chamas, a população de Manaus enfrenta os efeitos da poluição. A capital amanheceu na segunda-feira (12) sob fumaça pelo quinto dia consecutivo. O monitoramento da Universidade do Estado do Amazonas apontou qualidade do ar péssima em diversos bairros.
A fumaça chega principalmente de incêndios registrados em municípios do interior, como Autazes e Itacoatiara. Diante do risco à saúde, a prefeitura suspendeu aulas e atividades ao ar livre.
A Defesa Civil recomenda que a população evite exposição prolongada à fumaça, aumente a hidratação e utilize máscaras de proteção, preferencialmente PFF2. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias precisam de atenção especial.
Além do combate aos incêndios, a força-tarefa reúne órgãos federais, estaduais e municipais para prestar assistência às famílias afetadas e reduzir os impactos ambientais e sanitários das queimadas.
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