Os números constam da quinta edição do Boletim do Fogo Brasil 2026, elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Somente na semana encerrada em 30 de agosto, foram contabilizados 808.234 hectares de área queimada.
A redução no acumulado do ano ocorre em um período de aumento do risco. Segundo o documento, o clima brasileiro está sob influência do El Niño, fenômeno que favorece estiagens prolongadas e ondas de calor extremo em diferentes regiões do país. Essas condições deixam a vegetação mais seca e facilitam o avanço do fogo.
Os dados de área queimada incluem todas as superfícies atingidas e não diferenciam incêndios florestais de queimadas prescritas ou controladas.
Cerrado concentra maior área
O Cerrado concentrou a maior área queimada entre os biomas brasileiros, com 3.198.902 hectares até o fim de agosto. O volume corresponde a 1,61% da extensão do bioma e ficou 26% abaixo da média histórica.
Na Amazônia, foram registrados 1.095.346 hectares, equivalentes a 0,26% do bioma. O resultado representa redução de 53,1% em relação à média do período entre 2012 e 2025.
O Pantanal acumulou 102.536 hectares queimados, com queda de 78,5% na comparação histórica. A Caatinga registrou 84.392 hectares, redução de 21%. Na Mata Atlântica, foram 64.484 hectares, volume 59,8% inferior à média. O Pampa teve 6.986 hectares atingidos, queda de 64,3%.
Espírito Santo soma 3.262 hectares
No Espírito Santo, a área queimada acumulada chegou a 3.262 hectares até 30 de agosto. O estado aparece na 23ª posição entre as unidades da Federação, abaixo de Alagoas, que registrou 3.318 hectares, e acima de Pernambuco, com 2.002 hectares.
Mato Grosso lidera o levantamento nacional, com 1.336.958 hectares queimados. Tocantins aparece em seguida, com 1.279.418 hectares. O Pará ocupa a terceira posição, com 449.834 hectares.
Na semana analisada pelo boletim, Ribeirão Cascalheira, em Mato Grosso, foi o município com a maior área queimada, com 55.230 hectares. Na sequência aparecem Altamira, no Pará, com 34.958 hectares, e Formoso do Araguaia, no Tocantins, com 30.016 hectares.
Áreas protegidas
As terras indígenas brasileiras acumulavam 1.465.128 hectares queimados em 2026, o equivalente a 1,24% da extensão total desses territórios. Nas unidades de conservação federais, a área atingida chegou a 566.272 hectares, ou 0,69% do total.
Os assentamentos rurais registraram 169.470 hectares queimados, correspondentes a 0,41% de sua área. Nos territórios quilombolas, foram contabilizados 9.310 hectares, equivalentes a 0,3% do total dessas áreas.
O Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, no Maranhão, liderou entre as unidades de conservação federais na semana, com 15.078 hectares queimados. Entre as terras indígenas, a maior área atingida foi registrada na TI Pimentel Barbosa, em Mato Grosso, com 62.510 hectares.
Combate mobiliza mais de 4 mil profissionais
A estrutura federal disponível para a temporada de incêndios reúne 4.091 brigadistas e servidores, 891 veículos terrestres, 79 embarcações e 29 meios aéreos.
Entre 24 e 30 de agosto, 670 incêndios detectados foram extintos. Outros quatro permaneciam em combate e dois eram monitorados. O Cerrado concentrou 357 ocorrências extintas, seguido pela Amazônia, com 203, e pela Mata Atlântica, com 71.
O boletim também registra seis operações em andamento. As ações estão concentradas em áreas de Tocantins, Pará e Mato Grosso.
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