O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aceitou o convite do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, para participar da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP31. O encontro será realizado de 9 a 20 de novembro de 2026, na cidade turca de Antália.
O convite foi feito durante uma conversa por telefone entre os dois presidentes na segunda-feira (24), segundo o Palácio do Planalto. A participação de Lula ocorre um ano depois de o Brasil sediar a COP30, realizada em Belém, no Pará, em novembro de 2025.
A COP é o principal fórum mundial de negociações sobre o clima. Realizada anualmente no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a conferência reúne os países para avaliar compromissos, negociar decisões e definir medidas destinadas a reduzir as emissões de gases de efeito estufa e ampliar a adaptação aos impactos climáticos.
A COP31 terá um modelo compartilhado de condução. A Turquia será responsável pela organização e pela Agenda de Ação, enquanto a Austrália comandará as negociações entre os países. O Brasil permanecerá na presidência da COP30 até a abertura da conferência em Antália e trabalhará com os dois países na preparação do encontro. A cúpula buscará ampliar a ambição e acelerar a implementação das decisões climáticas, segundo a ONU Mudança Climática.
Casa Sustentabilidade Brasil
Durante a COP30, realizada em Belém, o Instituto Sustentabilidade Brasil (ISB) manteve a Casa Sustentabilidade Brasil, espaço independente de diálogo instalado a cerca de 600 metros do centro oficial da conferência. A estrutura reuniu representantes de governos, empresas, universidades, comunidades tradicionais e organizações da sociedade civil em debates sobre justiça climática, transição verde, inovação tecnológica e desenvolvimento sustentável. A programação também deu visibilidade à produção, à gastronomia e aos cafés especiais do Espírito Santo, além de contribuir para a construção da agenda da Conferência Sustentabilidade Brasil 2026.
Da COP30 à COP31
A COP30 terminou com 56 decisões aprovadas por consenso pelos 194 países participantes, das quais 24 integraram o Pacote Político de Belém. O encontro realizado no Brasil avançou em temas como transição justa, adaptação, financiamento climático, tecnologia e participação de povos indígenas e comunidades locais.
A conferência de Belém também marcou o início de uma nova etapa do Acordo de Paris, voltada à transformação das metas climáticas em ações concretas. Por isso, a expectativa é que a COP31 funcione como uma conferência de implementação, com cobrança por resultados e menos espaço para compromissos sem mecanismos de execução.
Entre os principais temas está a continuidade do Mapa do Caminho de Baku a Belém, criado para orientar a mobilização de US$ 1,3 trilhão por ano, até 2035, em financiamento climático para países em desenvolvimento. A primeira atualização sobre a execução dessa proposta deverá ser apresentada durante a COP31, conforme a presidência brasileira da COP30.
A adaptação às mudanças climáticas também deverá ocupar espaço central. A COP30 aprovou 59 indicadores para medir o avanço da Meta Global de Adaptação e estabeleceu o compromisso de triplicar o financiamento destinado a essa área até 2035. Em Antália, são esperados os primeiros resultados mensuráveis da aplicação desses indicadores e do avanço dos planos nacionais de adaptação.
O Brasil ainda conduz, até a COP31, a elaboração de dois roteiros internacionais. Um trata da transição para longe dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos, de forma justa, ordenada e equitativa. O outro busca orientar ações para interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030.
A presidência turca também apresentou metas para a Agenda de Ação da COP31. Entre elas estão elevar para 35% a participação da eletricidade no consumo mundial de energia até 2035, reduzir em pelo menos 25% a intensidade energética dos edifícios e ampliar para 15% o uso de materiais circulares na produção e na indústria. Também estão previstas ações relacionadas à redução de resíduos, segurança alimentar, cidades resilientes e capacitação de jovens agricultores em práticas adaptadas às mudanças climáticas.
Essas metas não integram automaticamente os acordos formais da conferência, que dependem do consenso entre os países, mas indicam as áreas que a presidência pretende mobilizar fora das salas de negociação. O desafio da COP31 será transformar os compromissos acumulados nas conferências anteriores, especialmente os resultados obtidos no Brasil, em financiamento, projetos e ações capazes de produzir efeitos concretos.
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