Ciência como investimento estratégico: o exemplo de dois brasileiros premiados

Premiação internacional de Paulo Artaxo e Luisa Diele-Viegas reforça que investir em ciência é estratégico para enfrentar a crise climática e fortalecer o país

Fotos: Fernanda Reis/Ascom Inpa/Ascom UFMS -

O reconhecimento internacional concedido aos pesquisadores brasileiros Paulo Artaxo e Luisa Maria Diele-Viegas, vencedores do Planet Earth Award 2026, concedido pela Alliance of World Scientists, vai além da celebração individual. Ele reafirma que o investimento em ciência é uma escolha estratégica para qualquer país que deseje enfrentar a crise climática com autonomia e base técnica sólida.

Professor titular da Universidade de São Paulo, Paulo Artaxo construiu uma trajetória dedicada a compreender como a floresta amazônica influencia o clima regional e global. Seus estudos sobre aerossóis atmosféricos, emissões biogênicas e forçantes radiativas ajudaram a esclarecer o papel das florestas tropicais na formação de nuvens, no ciclo hidrológico e no balanço energético do planeta. Trata-se de conhecimento que impacta diretamente setores como agricultura, energia e gestão de recursos hídricos.

Já Luisa Maria Diele-Viegas, docente da Universidade Federal da Bahia, atua na linha de frente da pesquisa sobre mudanças climáticas e risco de extinção de espécies. Seus estudos analisam como variações térmicas afetam a tolerância e a sobrevivência de organismos sensíveis, oferecendo subsídios técnicos para políticas de conservação baseadas em evidências. Além da produção científica, ela ocupa posições de liderança na articulação de mulheres na ciência, ampliando redes e fortalecendo a representatividade no campo acadêmico.

Ambos tiveram apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico ao longo da carreira, o que evidencia um ponto central: excelência científica depende de continuidade institucional e financiamento estável. Países que tratam ciência como gasto eventual comprometem sua própria capacidade de inovação e resposta a crises. Os que a enxergam como investimento constroem soberania, competitividade e resiliência.

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