O Brasil registrou 26 assassinatos de defensores da terra e do meio ambiente em 2025, o dobro dos 13 casos contabilizados no ano anterior. Com esse resultado, o país ocupou a segunda posição no ranking mundial de violência letal contra ativistas ambientais, atrás apenas da Colômbia, que somou 39 mortes.
Os dados fazem parte do relatório Collective Power, divulgado pela organização internacional Global Witness. O levantamento identificou ao menos 124 assassinatos em 15 países no ano passado. A América Latina concentrou 85% das ocorrências.
Enquanto o número global caiu em relação a 2024, quando a entidade documentou 142 assassinatos e quatro desaparecimentos, o Brasil seguiu na direção oposta. Além disso, conflitos por terra motivaram 25 das 26 mortes registradas no território brasileiro.
Entre as vítimas estavam 11 pequenos agricultores e sete indígenas. Sete assassinatos tiveram relação com reivindicações pelo reconhecimento de territórios ancestrais. Outros 14 envolveram demandas por reforma agrária, principalmente de agricultores familiares e comunidades quilombolas.
Rondônia e Pará concentraram metade das mortes verificadas no Brasil. Segundo a Global Witness, o avanço das fronteiras agrícola e extrativista sobre territórios ocupados por comunidades rurais aumenta a pressão nessas regiões.
O relatório associa a violência à ação de madeireiros ilegais, garimpeiros e criadores de gado envolvidos em invasões e apropriação de terras. A presença do crime organizado também aparece entre os fatores que ampliam o risco em países da América Latina.
A concentração dos assassinatos na Amazônia mostra que a disputa não envolve apenas a preservação ambiental. Na maioria dos casos, as vítimas defendiam o direito de permanecer no território e manter suas formas de produção e subsistência.
A Global Witness reconhece medidas adotadas pelo Brasil, como a titulação de dez territórios indígenas anunciada durante a COP30, em Belém. A organização pondera, contudo, que centenas de pedidos continuam pendentes e que a aplicação dos compromissos relacionados aos direitos territoriais ainda ocorre de forma desigual.
Outro avanço citado é a tramitação do Acordo de Escazú, tratado internacional que prevê proteção a defensores ambientais, acesso a informações públicas, participação nas decisões que afetam o meio ambiente e garantia de acesso à Justiça.
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