
Ondas de calor intensas, chuvas torrenciais, eventos cada vez mais fora do comum. Apesar de todas as evidências, 34% dos brasileiros ainda desconhecem o que são as mudanças climáticas. Outros 7% afirmam que não sabem muito sobre o tema. A pesquisa foi realizada pelo Datafolha em parceria com a Tereos, líder em produção de bioenergia, etanol e açúcar no país.
O primeiro passo para reverter esse cenário alarmante é a informação. E Maria Peixoto Ribeiro, membro do coletivo Inventando moda e produzindo arte, de Gurigica, Vitória, leva a disseminação de conhecimento muito a sério. Ela, que trabalha com outras seis mulheres na confecção de almofadas, bolsas, tapetes, colares e chaveiros utilizando materiais recicláveis, conta que um dos pilares do seu trabalho é a conscientização ambiental.
“Se nós não pegássemos os insumos nas fábricas, ia tudo para o meio ambiente. Todos nós temos de nos conscientizar e tentar conscientizar o próximo e fazer o lixo virar luxo. Eu sempre tive consciência ambiental. Ensinei para meus filhos sobre isso, sobre descarte correto de embalagens. Quem dera se nós conscientizássemos mais pessoas ainda”, conta.
Ela afirma que faz um trabalho de esforço contínuo, levando informação de qualidade para onde vai. “Se viajo, levo meus talheres, copo, garrafa, para não precisar usar nada plástico, que prejudique o meio ambiente. E quando tenho oportunidade, falo com outras pessoas sobre isso”, conta, completando que nota que o mundo está mais quente a cada ano e que, se cada um fizesse sua parte, seria uma realidade diferente.
O planeta está mais quente
A percepção de Maria Peixoto Ribeiro sobre as mudanças climáticas é precisa. Segundo o climatologista Carlos Nobre, o planeta está próximo de um aumento de 1,5 grau celsius em sua temperatura média, algo que era esperado somente daqui a cerca de uma década.
O cientista, que fez a declaração na roda de conversa “Desafios e caminhos para a descarbonização no setor sucroenergético”, e também deu o alerta durante um painel do Sustentabilidade Brasil, reforçou que, caso o mundo siga no mesmo ritmo, até 2050 a temperatura média será elevada em 2 graus, atingindo os chamados ‘pontos de não retorno’, problemas de consequências irreversíveis”.

E os problemas que a temperatura mais alta pode causar são muitos, entre eles a extinção dos corais em todo mundo, a perda de metade da Amazônia e o descongelamento do “permafrost” (solo congelado que retém gases de efeito estufa), o que poderia resultar na injeção de bilhões de toneladas de Gases de Efeito Estufa (GEE) na atmosfera.
Informação e mudanças climáticas
As classes D e E são as que mais desconhecem as mudanças climáticas, segundo a pesquisa. Além disso, 51% dos respondentes disseram não saber como podem contribuir para mitigar as mudanças. No entanto, ao serem questionados sobre ações para cuidar do futuro do planeta, 55% apontaram ações de preservação ambiental como as mais importantes, enquanto 29% citaram o descarte correto de resíduos e lixo e, 15%, o uso consciente da água.
A pesquisa ouviu 2.009 pessoas, em todas as regiões do Brasil, e tem margem de erro de 2 pontos percentuais.
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