El Niño 2026/2027: Embrapa apresenta 163 medidas para proteger a produção de alimentos

A adaptação da agricultura às mudanças do clima está entre os desafios que ganham relevância nas discussões da COP31.

Foto; Gislene Alencar/Embrapa -

A adaptação da agricultura às mudanças do clima está entre os desafios que ganham relevância nas discussões da COP31.

A discussão também ultrapassa os limites das propriedades rurais.

Quando eventos climáticos comprometem safras, os reflexos podem chegar ao abastecimento.

E também aos preços dos alimentos, à renda de produtores e trabalhadores e à economia dos municípios.

Essa, sem sombra de dúvidas, é uma dimensão importante do debate sobre sustentabilidade que chega à COP31.

Adaptar os sistemas de produção não significa apenas preservar atividades econômicas, mas também proteger recursos naturais, comunidades e a segurança alimentar.

No Brasil, os efeitos do El Niño sobre o regime de chuvas, a disponibilidade de água, a qualidade do solo e a produção de alimentos foram tema de estudos,

O estudo foi feito por um grupo de trabalho da  Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

As propostas apresentadas por esse grupo em notas técnicas reforçam a necessidade de planejamento e prevenção em todas as atividades do campo, da agricultura familiar ao agronegócio.

A Embrapa reuniu e apresentou 163 medidas para reduzir riscos e prejuízos associados ao fenômeno climático.

O documento contém orientações que também podem contribuir para o enfrentamento de outros eventos extremos.

Nota Técnica

Das recomendações apresentadas na nota técnica, 14 são transversais a todo o setor agropecuário.

Entre elas estão o acompanhamento das previsões meteorológicas e o uso de dados climáticos locais para orientar decisões na propriedade rural.

O documento também recomenda a utilização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).

Além disso, recomenda a diversificação da produção no espaço e ao longo do tempo e a adoção de sistemas integrados, como lavoura-pecuária (ILP) e lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

As medidas incluem ainda a avaliação contínua dos riscos, a elaboração de planos de contingência para eventos climáticos adversos e a manutenção da infraestrutura das propriedades.

Também orientam o dimensionamento da capacidade operacional, o registro dos eventos e de seus impactos e a análise econômica do nível de proteção necessário diante de cada risco.

A preparação financeira também ocupa lugar importante. A Embrapa recomenda a formação de reservas, a contratação de seguro rural e o uso de outros mecanismos de transferência de riscos.

E ainda a capacitação das equipes para lidar com situações provocadas por eventos climáticos.

Segundo a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, o documento foi elaborado em resposta às perspectivas do El Niño de 2026/2027,

Apesar disso, o documento adota uma abordagem mais abrangente de gestão de riscos agroclimáticos.

“Ele reconhece que grande parte das ameaças, vulnerabilidades e medidas analisadas é aplicável também a outros eventos e condições climáticas recorrentes”, afirma.

Apoio institucional, financeiro, científico e tecnológico

A adaptação do campo, porém, não depende apenas das decisões tomadas dentro das propriedades rurais.

Das medidas apresentadas pela Embrapa, dez dependem das políticas públicas e são de caráter institucional,

E também financeiro, científico, tecnológico e de assistência técnica, cuja execução exige a participação de diferentes setores.

Entre as propostas estão o fortalecimento e o aperfeiçoamento de instrumentos de avaliação de risco, como o Zarc, e a ampliação de linhas de financiamento direcionadas à adaptação climática.

O documento também prevê o aprimoramento dos mecanismos de transferência de riscos, como o seguro rural.

Além do fortalecimento da assistência técnica, da pesquisa e da validação de tecnologias capazes de desenvolver materiais e soluções mais adaptados às condições climáticas.

Outras recomendações envolvem o aperfeiçoamento dos sistemas de monitoramento agrometeorológico.

E a gestão integrada dos recursos hídricos e o acompanhamento das políticas e medidas de adaptação.

A nota técnica destaca ainda a necessidade de ampliar a capacidade nacional de prevenção, detecção e combate a incêndios rurais e florestais,

Aponta também que é preciso fortalecer programas de recuperação da cobertura vegetal em áreas vulneráveis e estratégicas para a segurança hídrica.

El Niño e os riscos para a produção brasileira

O documento reúne o histórico dos impactos do El Niño no Brasil e apresenta projeções para o ciclo de 2026/2027.

Entre os cenários apontados está a maior probabilidade de chuvas abaixo da média em áreas do Centro-Norte do país e de precipitações acima da média na Região Sul.

As projeções consideram diferentes riscos para a atividade agropecuária, como atraso ou irregularidade no início da estação chuvosa.

Aborda períodos prolongados de déficit hídrico, temperaturas elevadas, excesso de chuva e tempestades convectivas severas.

Os possíveis impactos são analisados de acordo com as características de diferentes cadeias produtivas.

Podem ser afetados grãos e fibras, fruticultura, silvicultura, olericultura, pastagens e pecuária, culturas industriais e aquicultura.

Embora os efeitos variem conforme a região e a atividade, é importante antecipar riscos e fortalecer a capacidade de resposta, o que pode reduzir perdas e proteger a produção, conforme orienta a Embrapa.

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Fonte: Embrapa

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