A transição para uma economia de baixo carbono depende de mais do que compromissos ambientais.
Exige recursos financeiros, tecnologia e condições para que empresas e produtores rurais incorporem práticas sustentáveis às suas atividades.
No Espírito Santo, o Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes) participa desse processo por meio de linhas de financiamento.
Esses programas são destinados a reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE), estimular o uso eficiente dos recursos naturais e apoiar iniciativas de conservação ambiental.
Uma das principais ferramentas nesse campo é o Fundo de Descarbonização do Espírito Santo.
Ele foi lançado em janeiro de 2026 com aporte inicial de R$ 500 milhões do Fundo Soberano do Estado (Funses).
A iniciativa foi estruturada para financiar projetos que reduzam as emissões de gases de efeito estufa, com atenção especial aos setores industrial e energético.
Entre as possibilidades de investimento estão a implantação de sistemas de geração de energia solar.
Além disso, da adoção de tecnologias para aumentar a eficiência energética, a produção de biometano e a modernização de processos industriais.
A iniciativa integra a estratégia estadual de enfrentamento das mudanças climáticas e está alinhada ao Plano de Descarbonização e Neutralização das Emissões de Gases de Efeito Estufa do Espírito Santo, lançado em 2023.
Neutralidade até 2050
O documento estabelece como metas a redução de 27% das emissões até 2030 e o alcance da neutralidade de carbono até 2050.
Para o diretor-presidente do Bandes, Marcelo Saintive, o financiamento é um dos caminhos para aproximar desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental.
Saintive diz que o financiamento sustentável é um instrumento importante para impulsionar o desenvolvimento econômico aliado à responsabilidade ambiental.
“No Bandes buscamos estruturar soluções que contribuam para a transição para uma economia de baixo carbono, incentivando investimentos que fortaleçam a competitividade das empresas e promovam o desenvolvimento sustentável do Espírito Santo”, reforça.
A diretora operacional do banco, Gabriela Vichi, destaca que a disponibilidade de crédito também é determinante para transformar compromissos climáticos em mudanças concretas nos processos produtivos.
Desafios da transição
Destaca que um dos desafios da transição para uma economia de baixo carbono é transformar as metas ambientais em investimentos viáveis.
Lembra ainda que o financiamento permite que as empresas modernizem seus processos, adotem tecnologias mais eficientes e reduzam suas emissões.
“Ao apoiar essas iniciativas, o Bandes contribui para que a transição climática também gere oportunidades de inovação, competitividade e desenvolvimento para o Espírito Santo”, observa.
Crédito para produção rural e conservação ambiental
No campo, as iniciativas de financiamento contemplam tanto a recuperação de áreas naturais quanto a adoção de modelos produtivos mais sustentáveis.
Em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), o Bandes participa do Programa Reflorestar, do Governo do Estado, voltado à conservação e à recuperação da cobertura florestal.
Outra frente é o Programa Bandes de Sistemas Agroflorestais, que incentiva a integração entre árvores e cultivos agrícolas, conciliando produção e conservação dos recursos naturais.
A gestão da água também está entre as prioridades. É desenvolvida em conjunto com a Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag).
Esse Programa de Financiamento para a Construção de Pequenas Barragens oferece crédito a propriedades rurais para implantação dessas estruturas.
Fundo de Fortalecimento
Os recursos são provenientes do Fundo de Fortalecimento da Economia Capixaba (FORTEC).
A proposta é ampliar a disponibilidade hídrica para as atividades agropecuárias, especialmente nos períodos de estiagem, quando a escassez de água representa um desafio para a produção rural.
Segundo Patrick Silva, gerente de Sustentabilidade e Produtos do Bandes, as soluções precisam considerar as características e necessidades de cada atividade econômica.
Silva ressalta que na indústria, isso passa pela modernização dos processos produtivos e pela eficiência energética.
E que no setor agropecuário, envolve o uso responsável dos recursos naturais, a conservação do solo e a gestão da água.
“O Bandes tem um papel importante na viabilização de investimentos que contribuam para uma economia capixaba mais sustentável, inovadora e competitiva”, pontua.
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