Presidência da COP30 revela caminhos para transformar o setor energético e preservar florestas

As propostas são ferramentas de aplicação global fundamentais para orientar os países na redução das emissões de gases do efeito estufa, principais responsáveis pelas mudanças do clima.

As propostas são de aplicação global e fundamentais para orientar os países na redução efeito estufa
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom Agência Brasil -

A presidência brasileira da COP30 apresentou nesta terça-feira (3) os mapas do caminho para o fim do desmatamento e a transição para longe dos combustíveis fósseis.

As propostas são ferramentas de aplicação global fundamentais para orientar os países na redução das emissões de gases do efeito estufa, principais responsáveis pelas mudanças do clima.

Os documentos foram concluídos dentro do prazo anunciado, a menos de uma semana do início da 31ª Conferência sobre Mudança do Clima (COP31).

O encontro ocorrerá na cidade de Antália, Turquia, de 9 a 20 de novembro.

Com duas estruturas similares, as ferramentas trazem caminhos orientados para que os países tracem seus próprios diagnósticos.

Além disso, poderão também identificar a etapa em que estão para atingiram as metas.

Mais que isso, para que consigam alavancar os resultados a partir de ações para implementação e finalmente se juntem em um mutirão global de resultados.   

Mapas são contribuições, diz presidente da COP 30

Segundo o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, os mapas não são mais parte da negociação, mas sim contribuições efetivas para ajudar os países a implementar o que já foi acordado.

Corrêa do Lago diz que a intenção é ajudar os países a terem políticas, tanto na direção de zerar o desmatamento quanto na direção do afastamento dos [combustíveis] fósseis.

“Políticas baseada nas informações, na ciência e nos dados que já estão disponíveis hoje”, destaca Lago.

Combustíveis fósseis

Na proposta do Mapa do Caminho para Longe dos Combustíveis Fósseis, o primeiro passo que conduzirá os países pela estratégia é a realização de uma avaliação nacional chamada de Preparação Belém.

Nessa análise, os países deverão medir como ocorre a oferta e a demanda de energia atualmente em seus territórios e também como isso se relaciona com a economia interna.

Deverão constar, por exemplo, o nível de dependência fiscal do mercado energético.

Além disso, os investimentos mais recentes e a expectativa de retorno dos investidores e os sinais de preço emitidos por produtores aos consumidores.

A partir dessa análise, a presidência da COP30 também propõe algumas alavancas de base para acelerar as ações de transição nos países que ainda estão no início do processo.

– Fortalecer o planejamento de longo prazo para que a transição acompanhe o crescimento da demanda

– Promover a articulação institucional e colaboração público-privada

– Ampliar oferta de energia confiável, acessível e sustentável

– Fortalecer a gestão sobre a demanda e a participação do consumidor, por meio de sistemas digitais

– Acelerar a eletrificação, a adoção de energia de baixas emissões e a eficiência energética

Transição possível

Segundo a diretora-executiva da COP30, Ana Toni, os mapas do caminho mostram que a transição é possível e que todos os países já estão em condições de iniciar o trabalho nacional imediatamente.

“A transição é inevitável, então, comece a planejar agora e o mais breve possível. Porque isso vai ser bom para o seu país, para a sua sociedade, para a sua economia”, reforça

Na prática, os países poderão descarbonizar a forma de gerar energia e também desenvolver ainda mais suas economias.

Poderão ainda ampliar a oferta no setor, protegendo trabalhadores e comunidades locais.

E o caminho, lembra, pode ser seguido de forma diferente, conforme a realidade de capa país, mas com o mesmo objetivo global.

A partir de cada contribuição nacional, chamadas pelos integrantes da COP de arquétipos, os países deverão formar um grande mutirão de esforço para resultados globais.

“A gente criou arquétipos de países para mostrar que os países começam essa transição de lugares muito diferentes. Onde está o Brasil é muito diferente de onde está a União Europeia, a Noruega, os Estados Unidos ou o Canadá”, explica Ana Toni.

Fim do Desmatamento

O Mapa do Caminho para o Fim do Desmatamento e da Degradação Florestal traz uma abordagem global.

O foco são as florestas tropicais, subtropicais, temperadas e boreais, bem como ecossistemas relacionados às florestas, como turfeiras e manguezais.

A proposta para os países trilharem o caminho até o fim do desmatamento também tem foco na degradação.

Isso porque ela afeta a capacidade de armazenar carbono, regular os sistemas de chuvas e sustentar a biodiversidade nas florestas de forma mais silenciosa que o desmatamento.

As orientações seguem a mesma trilha do mapa para longe dos combustíveis fósseis, do diagnóstico até a soma dos resultados globais.

Mas no caso do enfrentamento ao desmatamento e à degradação, foram observadas seis dimensões:

Conservação

– Manejo florestal sustentável

– Agrossilvicultura e bioeconomia

– Combate à degradação florestal

– Combate ao desmatamento

– Restauração, reflorestamento e plantio de florestas.

Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, muitas das alavancas sugeridas no mapa do fim do desmatamento são inspiradas em políticas que já foram adotadas pelo Brasil.

Elas apresentaram resultados expressivos como a redução do desmatamento no Brasil e que os Mapas do Caminho fazem exatamente isso.

Criam uma plataforma e um processo, que mostram no horizonte o que é possível a partir de experiências das mais diversas formas e vindas de diferentes povos.

“Colocam isso em perspectiva, que permite avançar em pequenos aspectos que vão se somando, criando uma sinergia e avançando em soluções globais”, conclui.

Leia também: COP31: UN Climate Change Conference in Antalya, Turkey

Com informações da Agência Brasil

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