Brasil registra menor emissão de gases de efeito estufa desde 2012

Redução do desmatamento impulsionou resultado, mas país ainda não conseguiu cumprir a meta climática estabelecida para 2025

O Brasil registrou, em 2025, o menor volume de emissões líquidas de gases de efeito estufa desde 2012. O país lançou na atmosfera 1,41 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente, após descontar o carbono absorvido pela vegetação e por áreas protegidas. Os dados integram a 14ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), divulgada nesta quarta-feira (21) pelo Observatório do Clima.

A redução do desmatamento foi o principal fator para o resultado. As emissões brutas ligadas à mudança do uso da terra caíram 15% em relação a 2024 e chegaram a 814 milhões de toneladas. Já as emissões líquidas desse setor recuaram 48%, o menor patamar da série histórica. No total, o Brasil emitiu 2,06 bilhões de toneladas brutas de CO₂ equivalente, queda de 6% em um ano.

Entretanto, outros setores apresentaram pouca evolução. A agropecuária reduziu suas emissões em apenas 0,1%, com um total de 626 milhões de toneladas. Por outro lado, o setor energético registrou aumento de 1,2%, enquanto as emissões provenientes de resíduos cresceram 3,6%. A indústria também apresentou alta, de 0,2%.

Apesar do avanço, o Brasil não conseguiu cumprir a meta climática estabelecida para 2025. O compromisso previa limitar as emissões líquidas a 1,32 bilhão de toneladas. Segundo o Observatório do Clima, o país ficou cerca de 85 milhões de toneladas acima do objetivo. Ainda assim, nos últimos quatro anos, o Brasil conseguiu reduzir em aproximadamente um quarto suas emissões brutas.

O desafio agora será ampliar os cortes para além do combate ao desmatamento. Para 2030, o Brasil pretende limitar suas emissões a uma faixa entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas. Segundo David Tsai, coordenador do Seeg, a redução das emissões associadas ao desmatamento representa uma conquista. No entanto, o cumprimento das próximas metas dependerá também de avanços na agropecuária, na energia e nos demais setores.

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