A participação da população na construção das políticas de adaptação climática ainda é um dos principais desafios dos municípios do Espírito Santo. Enquanto as prefeituras alcançaram média de 75,8 pontos em Transparência e Governança, o desempenho caiu para apenas 37,1 pontos em Comunicação e Participação.
A diferença de 38,7 pontos entre as duas dimensões mostra que parte dos municípios já possui informações, estruturas administrativas ou instrumentos relacionados ao enfrentamento das mudanças climáticas, mas ainda apresenta dificuldades para comunicar essas ações e envolver os moradores nas decisões.
Os dados fazem parte do recorte de Adaptação Climática do Ranking Capixaba de Transparência e Governança Pública 2026. A avaliação foi realizada pela Transparência Capixaba, com apoio institucional do Espírito Santo em Ação e apoio técnico e metodologia da Transparência Internacional Brasil.
A média das 78 prefeituras capixabas foi de 56,4 pontos, resultado classificado como regular. O desempenho está muito abaixo dos 86,9 pontos alcançados pelo estado na avaliação geral de transparência e governança pública.
O contraste indica que os avanços registrados na divulgação de informações financeiras, nas plataformas digitais e nos instrumentos administrativos ainda não foram incorporados com a mesma intensidade à agenda climática.
Mais da metade não passa do nível regular
Dos 78 municípios avaliados, apenas 11 receberam classificação ótima no recorte de adaptação climática. Outros 26 ficaram no nível bom, 25 foram considerados regulares, dez receberam classificação ruim e seis ficaram no nível péssimo.
Ao todo, 41 prefeituras, o equivalente a 52,6% dos municípios capixabas, não ultrapassaram o nível regular. Em 16 cidades, o desempenho foi considerado ruim ou péssimo.
Vila Velha liderou o ranking, com 93,7 pontos. Na sequência aparecem Santa Teresa, com 93,5, Irupi, com 93,2, Cariacica, com 92,5, e Viana, com 92 pontos.
Também ficaram no nível ótimo Aracruz, Cachoeiro de Itapemirim, Vargem Alta, Sooretama, Alegre e Serra. Os resultados mostram que municípios de diferentes regiões e portes conseguiram alcançar pontuações elevadas.
Participação precisa sair do papel
A baixa pontuação em Comunicação e Participação indica que a agenda de adaptação climática ainda é conduzida com pouco envolvimento da sociedade. Isso pode limitar a capacidade dos municípios de identificar vulnerabilidades, definir prioridades e construir respostas adequadas à realidade de cada território.
Moradores de áreas sujeitas a alagamentos, deslizamentos, estiagens, ondas de calor e outros eventos extremos possuem conhecimento direto sobre os riscos enfrentados. Sem canais de diálogo, consultas públicas e acesso a informações claras, esse conhecimento pode ficar fora do planejamento municipal.
A comunicação também interfere na capacidade de prevenção. Planos, mapas de risco e protocolos administrativos têm alcance limitado quando a população desconhece sua existência, não entende as orientações ou não participa de sua elaboração.
A pontuação do ranking não representa, isoladamente, a capacidade de um município para resistir a desastres climáticos. O recorte avalia a transparência, os mecanismos de governança e a abertura à participação social relacionados à adaptação. Ainda assim, os resultados ajudam a identificar se o tema está institucionalizado e acessível à sociedade.
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