Grande parte do que vai para a coleta seletiva no Brasil não retorna ao ciclo produtivo. Seja por falta de tecnologia, mistura de materiais ou inviabilidade econômica, muitos produtos simplesmente não são reciclados, mesmo quando poderiam ser.
A presidente do Instituto Nossa Urbe, Carolina Albuquerque Gonçalves, alertou, em uma postagem no Instagram, para a importância de observar as informações das embalagens. “Sempre olhe no rótulo. Número 7 dentro do triângulo, não recicla”, explica.
Veja alguns exemplos comuns que geram dúvida:
Isqueiro
Apesar de pequeno, combina plástico, metal e gás. A desmontagem é complexa e economicamente inviável. Não é reciclado.
Embalagem metalizada multicamadas
Sacos de salgadinhos e biscoitos misturam plástico e alumínio. A separação exige tecnologia que praticamente não existe na coleta convencional brasileira.
Embalagem transparente de frutas
Tecnicamente reciclável, mas raramente reciclada. É leve, volumosa e pouco valorizada.
Bandeja de isopor
O poliestireno expandido pode ser reciclado, mas ocupa muito espaço e tem baixo valor de mercado. Na prática, quase não é reaproveitado.
Comprovante de maquininhas e notas fiscais
São feitos de papel térmico com substâncias químicas que impedem a reciclagem.
Papel com verniz UV
Cartões de visita e embalagens com brilho recebem uma camada plástica que contamina o papel e inviabiliza a reciclagem convencional.
Tubo de pasta de dente
A tampa costuma ser reciclável, geralmente feita de polipropileno, mas o corpo mistura plástico e alumínio. Há iniciativas pontuais de logística reversa, mas não é regra.
Embalagem de ração
Feita de múltiplas camadas para proteger contra umidade e gordura, não é reciclada na coleta comum.
Mas como saber se uma embalagem é ou não reciclável?
Nas embalagens, há um triângulo com um número que identifica o tipo de resina plástica usada, segundo classificação técnica adotada no Brasil. Atenção: o número não indica quantas vezes foi reciclado. Ele identifica composição, não histórico. Plásticos 1, 2, 4 e 5 costumam ter maior aceitação na reciclagem.
1 – PET: garrafas de água e refrigerante.
2 – PEAD: frascos de leite e cosméticos.
3 – PVC: filmes plásticos e alguns frascos.
4 – PEBD: sacolas e embalagens flexíveis.
5 – PP: potes de iogurte e margarina.
6 – PS: copos descartáveis e isopor.
7 – Outros: misturas ou plásticos especiais.
Separar corretamente continua sendo importante. Mas a orientação mais eficaz é reduzir o consumo de embalagens complexas e priorizar produtos com estrutura simples e maior índice de reaproveitamento.
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