O oceano regula o clima, influencia a produção de alimentos, protege o litoral e sustenta parte relevante da economia brasileira. Mesmo assim, seu papel ainda é pouco explorado de forma estruturada nas salas de aula. A sociedade, no entanto, parece pronta para essa mudança.
Quase nove em cada dez brasileiros defendem a inclusão da educação sobre o oceano no currículo escolar. É o que aponta a pesquisa Oceano sem Mistérios: a relação dos brasileiros com o mar – evolução de cenários, realizada pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza em cooperação com a Unesco e o projeto Maré de Ciência, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Segundo o levantamento, 89% dos entrevistados concordam que conteúdos sobre o oceano devem fazer parte da formação escolar. O estudo ouviu 2 mil pessoas em todas as regiões do país e compara dados de 2022 e 2025.
O Brasil assumiu compromisso formal com o chamado Currículo Azul, iniciativa alinhada à Década da Ciência Oceânica promovida pela Unesco. Atualmente, o país registra 679 Escolas Azuis, instituições que desenvolvem projetos pedagógicos voltados à educação oceânica.
Perfil do apoio
A pesquisa mostra que o apoio à inclusão do tema no currículo é maior entre pessoas com maior nível de escolaridade e entre moradores de regiões litorâneas. O dado sugere que informação e proximidade geográfica influenciam a percepção sobre a importância do oceano para o clima, a economia e a qualidade de vida.
Mesmo entre quem vive distante do litoral, há reconhecimento crescente da relação entre oceano e eventos climáticos extremos. Em outros pontos do levantamento, 90% consideram o aumento do nível do mar uma ameaça real, e 85% associam o aquecimento das águas à intensificação de secas e chuvas intensas.
Educação e Oceano sem Mistérios
Especialistas envolvidos no estudo apontam que fortalecer a educação oceânica pode reduzir a distância entre preocupação ambiental e ação prática. Apesar da alta percepção de risco, apenas 7% dos entrevistados afirmaram ter participado de iniciativas concretas de conservação marinha no último ano.
O relatório indica que a escola é espaço estratégico para ampliar o chamado letramento oceânico, integrando conhecimentos sobre biodiversidade marinha, mudanças climáticas e sustentabilidade de forma transversal.
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