O Julho das Pretas está em sua 14ª edição com atividades promovidas por organizações, movimentos e coletivos no Brasil e em outros países. A programação é voltada ao enfrentamento do racismo, à garantia de direitos e ao fortalecimento da participação política das mulheres negras. O Instituto Sustentabilidade Brasil (ISB) manifesta apoio à mobilização e à agenda de reparação, igualdade e justiça social defendida pelo movimento.
Criado em 2013 pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, com sede em Salvador, na Bahia, o Julho das Pretas nasceu como uma ação de incidência política e articulação entre organizações e movimentos de mulheres negras. A iniciativa também valoriza a luta, a resistência, os conhecimentos e as contribuições dessas mulheres para a sociedade.
A mobilização ocorre em torno do dia 25 de julho, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. No Brasil, a data também marca o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Tereza de Benguela foi uma liderança quilombola e tornou-se símbolo da resistência negra e da luta contra a escravização.
Mais do que uma programação comemorativa, o Julho das Pretas constitui uma agenda política coletiva. Ao longo do mês, organizações, escolas, universidades, pesquisadoras, artistas, lideranças comunitárias e movimentos sociais promovem rodas de conversa, seminários, marchas, oficinas, festivais, exposições, encontros comunitários, lançamentos de pesquisas e atividades de formação.
As ações buscam ampliar o debate público sobre racismo, gênero, democracia, saúde, educação, participação política, direitos humanos, autonomia econômica e enfrentamento às diferentes formas de violência que atingem as mulheres negras.
Seguimos em marcha
O tema da edição de 2026 é “Seguimos em Marcha por Reparação e Bem Viver”. A escolha dá continuidade às articulações fortalecidas pela Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, realizada em Brasília, em novembro de 2025.
A proposta é manter nos territórios a mobilização construída durante a marcha e transformar as reivindicações em uma agenda política permanente. Nesse contexto, a reparação envolve o reconhecimento e o enfrentamento das consequências históricas da escravização, do colonialismo e do racismo sobre as condições econômicas, políticas e sociais da população negra.
O conceito de bem viver propõe um modelo de sociedade baseado no cuidado, na coletividade, na justiça social, na ancestralidade, na preservação da vida e no respeito aos diferentes territórios. A abordagem amplia a discussão sobre desenvolvimento ao relacionar direitos, igualdade racial, proteção ambiental e qualidade de vida.
Agenda de ações
A programação de 2026 começou no início de julho, com atividades presenciais e virtuais realizadas por organizações de mulheres negras em diferentes territórios. Parte dos encontros já ocorreu, incluindo debates, formações, rodas de conversa e ações de mobilização sobre reparação histórica, participação política e Bem Viver.
A edição também inclui atividades do Julho das Pretas nas Escolas, iniciativa voltada ao enfrentamento do racismo e das diferentes formas de violência que atingem meninas e adolescentes negras nos espaços educacionais.
A programação continua com marchas, encontros, seminários, atividades culturais e ações comunitárias. Um dos principais marcos será celebrado em 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.
Em Salvador, a Marcha das Mulheres Negras da Bahia por Reparação e Bem Viver integra as atividades previstas para a data. O ato deve reunir lideranças comunitárias, estudantes, professoras, mulheres quilombolas, mulheres de terreiro, jovens, ativistas e representantes de movimentos sociais.
As ações descentralizadas seguem até o fim de julho, de acordo com os calendários definidos pelas organizações participantes em cada território.
O Instituto Sustentabilidade Brasil manifesta apoio ao Julho das Pretas por compreender que não existe desenvolvimento sustentável sem igualdade racial, equidade de gênero, garantia de direitos e participação social.
Para o ISB, reconhecer o protagonismo das mulheres pretas é parte da construção de políticas públicas e soluções capazes de responder às desigualdades sociais, econômicas e ambientais. A mobilização também contribui para ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão e dar visibilidade a conhecimentos, experiências e formas de organização fundamentais para a proteção dos territórios e da vida.
Ao manifestar apoio ao Julho das Pretas, o ISB reafirma seu compromisso com uma sociedade democrática, inclusiva e orientada pela justiça social, na qual as mulheres pretas tenham seus direitos respeitados, suas vozes ouvidas e sua participação reconhecida.
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