Educação ambiental, cultura planetária e protagonismo infantil

Iniciativas como o Clube Guardiões da Vida colocam crianças no centro da reconexão entre ser humano e natureza

Como promover educação ambiental de forma acessível, transformadora e capaz de dialogar com diferentes gerações em um mundo cada vez mais urbano e digitalizado? A resposta, segundo o diretor de Cultura da Associação Protetor para a Vida (Asoprovida), Bruno Padoveze, passa por uma mudança profunda de valores e pela construção do que ele define como cultura planetária.

Em entrevista ao Instituto Sustentabilidade Brasil, Padoveze explicou que a Asoprovida é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos dedicada à educação ambiental com foco no desenvolvimento humano integral. A proposta é atuar de forma transversal, levando oficinas, cursos, palestras e formações a escolas, universidades, empresas, organizações do terceiro setor e também ao poder público.

“O objetivo é reconectar o ser humano ao seu propósito de vida, que é o desenvolvimento humano integral em harmonia com a natureza e com suas leis”, afirma.
Segundo Padoveze, embora a crise sanitária global causada pelo coronavírus tenha provocado avanços tecnológicos, científicos e novas formas de trabalho, ela não foi suficiente para promover uma transformação cultural profunda.

“Muita gente continua fazendo as mesmas coisas. Há uma geração inteira que vive conectada ao celular, dentro do quarto, sem contato real com a natureza”, observa.

Cultura planetária: um novo paradigma

A chamada cultura planetária, defendida pela Asoprovida, propõe que o ser humano volte a se reconhecer como parte de um organismo maior: o planeta Terra. Nessa visão, cada indivíduo funciona como uma célula responsável pelo equilíbrio e pela prosperidade do todo.

Padoveze lembra que, em termos históricos, a desconexão entre humanidade e natureza é recente. Em cerca de 200 anos, a sociedade passou do artesanato à industrialização, da vida rural à urbanização intensa e, mais recentemente, à hiperconectividade digital. “É como se tivesse sido ontem. Esse processo rápido tornou o mundo caótico”, analisa.

A proposta não é rejeitar a tecnologia ou idealizar um retorno ao passado, mas buscar equilíbrio. “Vivemos em grandes centros urbanos, em 2025. Não dá para ser utópico. Mas, quando se vai demais para um extremo, fica cada vez mais difícil corrigir a rota”, afirma.

Protagonismo infantil

Dentro dessa lógica, o protagonismo das crianças ganha papel estratégico. Iniciativas como o Clube Guardiões da Vida estimulam crianças e adolescentes a se reconhecerem como agentes ativos de cuidado com o planeta, e não apenas como receptores passivos de informações ambientais. “Amar e respeitar a vida é responsabilidade de todos”, reforça Padoveze.

Para ele, promover educação ambiental acessível passa menos por discursos complexos e mais por experiências simples, significativas e transformadoras, capazes de conectar pessoas, desde a infância, às suas próprias origens.

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