A água passou a ocupar posição ainda mais central na agenda global de clima, desenvolvimento e segurança econômica. É o que apontam análises publicadas pelo World Economic Forum, que identificam três tendências que marcaram a inovação em água em 2025 e que devem orientar políticas públicas, investimentos e estratégias corporativas ao longo de 2026.
Portanto, segundo o documento, a intensificação das mudanças climáticas, somada à pressão sobre infraestruturas hídricas envelhecidas, à escassez de recursos em diversas regiões e ao avanço acelerado da infraestrutura digital, vem forçando governos e empresas a tratar a água como um ativo estratégico, essencial para a resiliência econômica, social e tecnológica.
Resiliência hídrica
A primeira tendência destacada é a incorporação da resiliência hídrica às estratégias climáticas e de negócios. Empresas de setores diversos passaram a mapear riscos relacionados à disponibilidade de água, eventos extremos e interrupções no abastecimento, incorporando o tema à gestão de risco corporativo.
Tecnologias digitais têm desempenhado papel central nesse movimento. Sensores inteligentes, sistemas de monitoramento em tempo real, análise de dados e inteligência artificial vêm sendo usados para reduzir perdas, otimizar o uso da água e antecipar cenários críticos. De acordo com o relatório, a gestão eficiente do recurso passou a ser vista como condição para a continuidade operacional, especialmente em cadeias produtivas intensivas em água e em operações digitais de alta demanda energética.
Regulação e investimento público
Assim, a segunda tendência envolve o fortalecimento do papel do Estado como indutor da inovação hídrica. Novas regulações ambientais, padrões mais rigorosos de qualidade da água e o enfrentamento de contaminantes emergentes têm estimulado o desenvolvimento de soluções tecnológicas e atraído investimentos públicos e privados.
Governos e blocos econômicos vêm ampliando gastos para modernizar redes de abastecimento, tratamento e reúso, além de criar ambientes regulatórios mais estáveis para empresas inovadoras. Universidades e centros de pesquisa também ganham protagonismo ao transformar conhecimento científico em soluções aplicáveis à gestão hídrica, muitas delas apoiadas por ferramentas digitais e modelos preditivos baseados em dados.
Mercado de água
A terceira tendência observada é o aumento de fusões e aquisições no setor de água. Grandes empresas têm incorporado startups e negócios especializados para ampliar capacidade tecnológica, atender exigências regulatórias e responder a desafios climáticos e operacionais cada vez mais complexos.
Dessa forma, essa consolidação sinaliza uma transformação estrutural do mercado, com empresas mais capitalizadas e integradas, capazes de operar em escala e oferecer soluções completas, que vão do monitoramento digital ao tratamento avançado, reúso e reposição hídrica.
IA e data centers
Um segundo relatório chama atenção para um vetor adicional de pressão: o avanço da infraestrutura digital. Impulsionados pela computação em nuvem e pela inteligência artificial, os data centers se tornaram a espinha dorsal da economia conectada, alimentando desde serviços digitais até aplicações avançadas de IA.
Esse crescimento, no entanto, carrega um custo ambiental pouco visível. Além do alto consumo de energia, os sistemas de resfriamento dessas estruturas, especialmente em operações de IA, exigem grandes volumes de água, muitas vezes em regiões já afetadas por estresse hídrico.
Além disso, estimativas recentes indicam que a expansão acelerada da inteligência artificial pode resultar em uma retirada adicional de 4,2 a 6,6 bilhões de metros cúbicos de água até 2027, considerando tanto o resfriamento no local quanto a geração de eletricidade fora das instalações. O volume equivale a quatro a seis vezes a retirada anual de água da Dinamarca.
Transformar inovação em impacto
Assim, apesar dos avanços tecnológicos e regulatórios, o Fórum Econômico Mundial alerta que a inovação, por si só, não é suficiente. Persistem gargalos como infraestrutura fragmentada, desigualdade no acesso à água, dificuldades de financiamento e falta de coordenação entre políticas públicas e iniciativas privadas.
Portanto, para 2026, o principal desafio será transformar inovação tecnológica (incluindo soluções digitais, inteligência artificial e modelos circulares de gestão da água) em resultados concretos, capazes de ampliar o acesso ao recurso, fortalecer a adaptação climática e reduzir riscos econômicos, sociais e ambientais. A integração definitiva entre água, clima, tecnologia e desenvolvimento desponta como condição para a segurança humana e a estabilidade global.
Receba as principais notícias sobre sustentabilidade no seu WhatsApp! Basta clicar aqui