Carlos Nobre, um dos maiores nomes da ciência brasileira, reforça importância da parceria entre ISB e Ufes

Climatologista destaca papel da ciência e da articulação institucional diante da emergência climática e endossa a realização da Conferência Sustentabilidade Brasil 2026

Foto: Marcelo Camargo/ABr -

“Parabéns à Universidade Federal do Espírito Santo e ao Instituto Sustentabilidade do Brasil por terem agora planejado a importantíssima Conferência Sustentabilidade Brasil”. As palavras são do climatologista Carlos Nobre, um dos principais nomes da ciência brasileira e referência internacional nos estudos sobre Amazônia e mudanças climáticas, ao comentar a parceria entre ISB e Ufes. Para ele, a união entre produção científica e articulação institucional fortalece a resposta aos desafios ambientais e dá ainda mais força à realização da Conferência Sustentabilidade Brasil 2026.

A união entre ISB e Ufes foi consolidada na última quinta-feira (9), com foco na qualificação do debate público e na formulação de soluções concretas para os desafios da sustentabilidade. A aliança reúne a capacidade de articulação e formulação técnica do instituto, que levou à COP30 contribuições construídas com cerca de 300 especialistas, e a produção científica de uma universidade federal com atuação reconhecida na geração de soluções aplicadas.

Na mesma data, foi realizada uma visita técnica às instalações da universidade, onde acontecerá a edição 2026 da Conferência Sustentabilidade Brasil, marcada para os dias 25 e 26 de junho. O momento foi dedicado ao mapeamento da infraestrutura e à construção da integração intelectual que deverá orientar o encontro.

Ao apontar a relevância da conferência, Carlos Nobre relacionou o debate proposto pelo evento à gravidade do cenário ambiental contemporâneo. Segundo ele, a humanidade enfrenta uma situação inédita em sua história civilizatória. “Nunca vivemos uma emergência climática desse nível. E estamos afetando muito a sustentabilidade do planeta, estamos próximos de perdermos gigantesco número de espécies e vai afetar muito até a sustentabilidade humana”, disse.

O climatologista também chamou atenção para os efeitos concretos dos eventos extremos sobre a população. “Esses eventos climáticos extremos que já estão explodindo no planeta estão levando a uma grande perturbação na saúde humana. Por exemplo, as ondas de calor batendo recordes têm levado a um gigantesco número de mortes nos últimos anos”, declarou, ao ressaltar o impacto crescente da crise sobre a vida humana.

Nobre também avaliou que a parceria entre o instituto e a universidade amplia a capacidade de resposta diante do desafio climático, ao reunir produção acadêmica qualificada e compromisso institucional com a sustentabilidade. “Então, realmente, é muito importante a ciência de qualidade da Universidade Federal do Espírito Santo trazer para essa conferência junto com o instituto que busca realmente preservar a sustentabilidade no Brasil. Parabéns a esse evento”, afirmou.

O ISB chega à parceria respaldado por uma trajetória recente de articulação técnica em torno da agenda ambiental. Em 2025, o instituto produziu o Relatório Técnico Integrado – Diálogos e Contribuições da Conferência Sustentabilidade Brasil 2025, resultado de um processo de escuta que reuniu mais de 2,4 mil participantes, 300 especialistas, 40 painéis, 13 trilhas temáticas, seis grupos de trabalho e mais de 100 horas de debates. Levado à COP30, em Belém, o documento consolidou propostas e subsídios técnicos voltados à inovação, à adaptação climática e ao desenvolvimento sustentável.

Pela Ufes, a parceria se sustenta na capacidade de transformar conhecimento acadêmico em soluções com aplicação prática. Entre os exemplos está o supressor de poeira sustentável à base de PET reciclado, primeira patente verde da universidade, desenvolvido com participação de pesquisadores da instituição e levado à escala industrial em parceria com a Vale. A universidade também acumula iniciativas em áreas como aproveitamento de resíduos e compostagem, o que reforça o caráter estratégico da aliança.

Recentemente certificado pela Secti como uma Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação, o ISB amplia sua atuação na fronteira da Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. A nova configuração jurídica e técnica permite ao instituto operar em programas estratégicos de bioeconomia e transição energética com ferramentas de transferência de tecnologia e laboratórios colaborativos.

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