OMM eleva sinal de alerta para formação do El Niño em 2026

Atualização de maio da Organização Meteorológica Mundial indica aquecimento acelerado no Pacífico Equatorial, baixa chance de retorno da La Niña e possibilidade de o fenômeno atingir intensidade moderada ou forte

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) elevou o sinal de alerta para a formação do El Niño em 2026. Em seu OMM eleva sinal de alerta para formação do El Niño em 2026, a entidade aponta que as anomalias de temperatura da superfície do mar seguem aumentando no Pacífico Equatorial central e leste, numa configuração considerada favorável ao desenvolvimento do fenômeno nos próximos meses. Segundo os centros globais de previsão sazonal da OMM, a chance de El Niño chegar entre junho e agosto é de 80%. Para os trimestres seguintes, de julho a setembro, agosto a outubro e setembro a novembro, a probabilidade sobe para cerca de 90%. Já a chance de retorno da La Niña é considerada improvável durante todo o horizonte analisado pela OMM.

Os dados reforçam uma virada no Pacífico depois do enfraquecimento da La Niña. Em abril, a anomalia de temperatura na região Niño 3.4 foi de +0,47°C. Entre o fim de abril e meados de maio, as leituras mais recentes indicaram variações entre +0,8°C e +0,9°C nessa mesma área, tradicionalmente usada para monitorar o fenômeno.

Além do aquecimento na superfície, a OMM destaca a presença de calor acumulado abaixo da superfície do oceano. Segundo o boletim, temperaturas subsuperficiais mais de 6°C acima da média se estendem por grandes áreas do Pacífico Equatorial, formando uma espécie de reservatório de calor que ajuda a sustentar o aquecimento observado na superfície.

A leitura conjunta dos indicadores oceânicos e atmosféricos levou a OMM a afirmar que as condições de El Niño estão em desenvolvimento. O Índice de Oscilação Sul registrou -11,2 em abril, valor compatível com padrão de El Niño, enquanto os dados recentes de radiação de onda longa indicam nebulosidade próxima do normal perto da Linha Internacional de Data, após o declínio da La Niña.

A previsão da OMM é de fortalecimento gradual do fenômeno, com possibilidade de atingir pelo menos intensidade moderada e chance de se tornar forte. Ainda assim, a própria entidade faz uma ressalva importante: previsões emitidas nesta época do ano devem ser interpretadas com cautela, por causa da chamada barreira de previsibilidade da primavera boreal, período entre fevereiro e maio em que os modelos climáticos costumam ter maior incerteza.

A OMM também lembra que o El Niño não é o único fator capaz de influenciar o clima global e regional. A intensidade dos indicadores do fenômeno não se traduz automaticamente na intensidade dos impactos. Por isso, os efeitos em cada região dependem da combinação entre o estado do Pacífico e outros fatores climáticos locais, que precisam ser avaliados por serviços meteorológicos nacionais e centros regionais de previsão.

Mesmo com essa cautela, o avanço das probabilidades coloca governos, setores produtivos e serviços de meteorologia em estado de atenção. Eventos de El Niño costumam alterar padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo e, uma vez iniciados, podem durar 12 meses ou mais. O relatório ressalta que nenhum episódio é exatamente igual ao outro, mas que o fenômeno aumenta a chance de determinados padrões climáticos ocorrerem em escala global.

No resumo técnico, a OMM aponta quatro mensagens principais: o Pacífico Tropical continua aquecendo; o El Niño é muito provável entre junho e agosto; o fenômeno tende a se firmar no restante do período previsto; e a volta da La Niña é improvável até novembro.

A atualização da OMM foi preparada em parceria com o International Research Institute for Climate and Society (IRI), dos Estados Unidos, e reúne contribuições de centros meteorológicos e climáticos de diferentes países. O monitoramento seguirá nos próximos meses, com novas análises sobre a evolução do fenômeno e seus possíveis impactos regionais.

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