A Conferência Nacional Sustentabilidade Brasil 2026 (CNSB 26), realizada pelo Instituto Sustentabilidade Brasil (ISB), foi destaque no Folha Vitória, na coluna de Felipe Mello. A publicação ressaltou a abertura das inscrições para a primeira etapa do ciclo regional da conferência, que será realizada nos dias 25 e 26 de junho, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Vitória.
A participação nos painéis é gratuita, e as vagas estão disponíveis no site cnsb2026.com.br até a lotação máxima dos espaços. A etapa capixaba abre o ciclo nacional da conferência, que, em 2026, percorrerá três estados brasileiros com debates voltados às relações entre clima, território, economia e desenvolvimento.
Na coluna, o Folha Vitória destacou que a primeira etapa da CNSB 26 terá como tema central a relação entre financiamento climático, biomas e transição industrial. O recorte proposto pela conferência busca discutir como os recursos financeiros ligados à agenda climática, debatidos em fóruns internacionais, chegam ou deixam de chegar aos territórios.
A diretora técnica do ISB e líder de curadoria da CNSB 2026, Dani Klein, destacou que o debate sobre sustentabilidade precisa estar conectado à economia real.
“Não queremos falar de sustentabilidade como se ela existisse fora da economia real. A transição precisa ser construída dentro da indústria, não apesar dela. E o dinheiro climático que circula nos fóruns internacionais precisa chegar ao território. Esse é o debate que falta”, afirmou Dani Klein à coluna.
Para o presidente do ISB, Elias Carvalho, a conferência se consolidou como um espaço de construção de pontes entre conhecimento técnico, políticas públicas, investimentos e territórios.
“Cinco anos de conferência ensinaram uma coisa: o debate sobre clima no Brasil é rico e o dinheiro climático é escasso no território. Não por falta de projetos, mas por falta de pontes. O que falta é uma arquitetura que conecte esse conhecimento às decisões de investimento. A CNSB existe porque esse elo não se constrói sozinho, e o ISB está aqui para isso”, afirmou Elias Carvalho.
A escolha do Espírito Santo para abrir o ciclo nacional também foi abordada na publicação. O estado reúne características estratégicas para o debate climático, por ser o maior produtor individual de gás natural do país, manter cobertura de Mata Atlântica acima da média nacional e concentrar 114 quilômetros quadrados de manguezal, com um dos maiores estoques de carbono azul do Brasil.
A etapa capixaba aposta justamente nessa complexidade como laboratório para discutir transição justa, financiamento climático e modelos de desenvolvimento capazes de dialogar com a realidade produtiva, ambiental e social dos territórios.
Além do Espírito Santo, a CNSB 26 terá etapas em Natal, no Rio Grande do Norte, e em Campina Grande, na Paraíba. A segunda etapa será voltada à desertificação e à segurança hídrica, funcionando como espaço preparatório para a COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, que será realizada na Mongólia.
Já a terceira etapa terá foco em biomas, biopirataria e resiliência urbana frente às mudanças climáticas, conectando biodiversidade, conhecimento tradicional e adaptação das cidades aos desafios impostos pela crise climática.
Os resultados das três etapas serão consolidados em um Relatório Técnico Integrado bilíngue, que será apresentado na Brazil Connection, durante a Semana do Clima em Nova York, e na COP31, na Turquia. A proposta amplia a atuação do ISB na articulação de debates climáticos nacionais e internacionais.
A curadoria da conferência também será orientada por metas de representatividade, com previsão de 50% de equidade de voz entre mulheres e homens no palco e 40% de diversidade étnico-racial e regional na composição dos painéis, grupos de trabalho e banca da jornada científica.
Criada em 2021 como Sustentabilidade Capixaba, a conferência se consolidou em três edições como referência regional antes de ganhar abrangência nacional em 2024. Em 2025, já como etapa preparatória para a COP30, foi realizada na Praça do Papa, em Vitória, e resultou no livro Transformar para Existir: Políticas, Tecnologias e Justiça Climática, publicado em coedição com o ISB, a Kick, a Ufes e o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).
A edição de 2026 será a sexta da série e reforça a atuação do ISB como plataforma da sociedade civil voltada à construção de soluções, articulações e propostas concretas para a agenda climática brasileira.
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