O enfrentamento das mudanças climáticas exige união entre ciência, governos, empresas, universidades e sociedade civil. Essa é uma das principais defesas do presidente do Instituto Sustentabilidade Brasil (ISB), Elias Carvalho, em entrevista ao portal ES Brasil. Segundo ele, a construção de soluções para adaptação climática depende da capacidade de reunir diferentes setores em torno de um mesmo objetivo: reduzir riscos, proteger populações e transformar conhecimento em ação prática.
Na entrevista, Elias afirmou que o ISB atua como uma ponte entre esses atores. O instituto prepara uma agenda ampliada de conferências, debates científicos e articulações internacionais em 2026, com ações no Espírito Santo, na Paraíba, no Rio Grande do Norte, na Semana do Clima de Nova York e na COP31, prevista para ocorrer na Turquia.
“Queremos fazer essa grande discussão. E o que é mais importante: trazer soluções. E a solução engloba tecnologia, ciência, todo um esforço e mudança de comportamento também”, afirmou Elias.
Segundo o presidente do ISB, a emergência climática não pode ser enfrentada apenas com discursos. Para ele, é preciso colocar no mesmo ambiente cientistas, gestores públicos, empresários, universidades e representantes da sociedade para construir respostas concretas diante de eventos extremos, como tempestades, enchentes e outros impactos associados às mudanças climáticas.
“Precisamos reunir ciência, poder público e setor produtivo em torno da mesma mesa para discutir soluções concretas. A adaptação climática é uma das grandes prioridades do nosso tempo. Quem não se adapta fica mais vulnerável aos impactos dos eventos extremos”, disse.
Na avaliação de Elias Carvalho, o papel do ISB é aproximar quem produz conhecimento de quem toma decisões e de quem executa políticas públicas ou investimentos.
“Para que esses problemas sejam sanados, precisamos da ciência, da discussão e da tecnologia. É muito fácil a gente ouvir ou criticar e não pegar na massa para resolver”.
O Espírito Santo ocupa posição central nessa articulação, de acordo com ele, pela força das parcerias institucionais construídas no estado, especialmente com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). Para ele, a universidade tem papel estratégico na formação de profissionais e na produção de conhecimento aplicado ao desenvolvimento capixaba.
“A Universidade Federal do Espírito Santo tem um papel muito importante na transformação do Espírito Santo. O Espírito Santo se transformou de 25 anos para cá. E você imagina a quantidade de profissionais que saíram da Ufes e hoje estão exercendo suas profissões em diversas áreas”, afirmou.
O presidente do ISB disse ainda que a universidade precisa estar cada vez mais conectada aos desafios do território. Segundo ele, o instituto contribui para ampliar essa ponte entre a academia e as demandas do Espírito Santo. “O Instituto Sustentabilidade Brasil é justamente a ferramenta, o instrumento de fazer essa conexão”.
Uma das frentes dessa conexão é a Jornada Científica da Conferência Nacional Sustentabilidade Brasil (CNSB), que abre espaço para pesquisadores, especialistas e profissionais apresentarem estudos sobre sustentabilidade, mudanças climáticas, políticas públicas, inovação e justiça climática. Segundo Elias, a edição anterior reuniu universidades de dentro e de fora do Espírito Santo.
“É um trabalho muito importante porque são trabalhos científicos, onde são discutidos e ouvidos vários cientistas, várias pessoas que estudam o tema. São estudiosos que querem mostrar o seu trabalho, que querem mostrar sua experiência”, afirmou.
Transformar para existir
A agenda também inclui o livro Transformar para Existir: Políticas, Tecnologias e Justiça Climática, lançado em parceria com a Ufes e o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). A publicação reúne 48 autores e registra reflexões e experiências produzidas a partir de debates sobre sustentabilidade, tecnologia, políticas públicas e justiça climática.
Para Elias Carvalho, a publicação tem função histórica e técnica, por documentar ideias e propostas que podem servir de referência para futuras pesquisas, políticas públicas e ações institucionais.
“Esse livro vem fazer um registro dessas informações. Muitas vezes a gente fala que determinada ação começou em uma época, mas depois precisa buscar algum registro de que aquilo existiu”.
O presidente do ISB também comentou a transformação do instituto em uma instituição científica, tecnológica e de inovação. Segundo ele, a mudança reflete a necessidade de tratar a sustentabilidade de forma ampla, integrando conhecimento técnico, pesquisa aplicada, inovação e mudança de comportamento.
Segundo Elias, 2026 será um ano decisivo para ampliar a presença do ISB no Brasil e fortalecer a atuação internacional do instituto em torno da sustentabilidade, da justiça climática e da adaptação. “Vai ser um bom ano”, concluiu.
Receba as principais notícias sobre sustentabilidade no seu WhatsApp! Basta clicar aqui