O Espírito Santo passou a contar com um portal voltado exclusivamente ao mapeamento e à visibilidade de mulheres na ciência. Lançada pelo KICk Group, a iniciativa Pesquisadoras do ES foi criada para reunir, registrar e ampliar a produção científica feminina no estado, conectando pesquisadoras, instituições e sociedade em uma mesma plataforma digital.
De acordo com a coordenadora do projeto, Mariana Klein, o portal nasceu em resposta a um cenário de sub-representação feminina na ciência, apesar da presença expressiva de mulheres na pesquisa brasileira. A proposta é preencher uma lacuna no Espírito Santo, que até então não contava com um espaço centralizado dedicado exclusivamente ao mapeamento de pesquisadoras capixabas. A iniciativa também se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), com foco em igualdade de gênero, educação de qualidade e redução das desigualdades.
“A ciência ainda é um espaço atravessado por desigualdades profundas. As mulheres entram menos, saem mais cedo, publicam menos, não por falta de capacidade, mas porque os obstáculos são reais: acúmulo de trabalho doméstico e de cuidado, ambientes que ainda não foram desenhados para elas, financiamentos que chegam com mais dificuldade, reconhecimento que demora mais. Mesmo assim, elas estão lá, produzindo conhecimento de altíssima qualidade”, explica Mariana.
A plataforma reúne 26 pesquisadoras ativas, 222 publicações cadastradas, oito universidades e institutos representados e seis obras disponíveis em uma livraria digital. Assim que tiverem início as chamadas para projetos e liberação de bolsas, a plataforma oferecerá política de 50% de vagas afirmativas, com prioridade para pesquisadoras negras e indígenas.
“O Pesquisadoras do ES parte de uma crença: quando uma pesquisadora encontra outra, quando ela percebe que não está sozinha nesse território, algo muda. Surgem colaborações, projetos conjuntos, redes de apoio, referências para as que vêm depois. A permanência delas na ciência depende também disso, de se verem, de se reconhecerem e de saber que o caminho já foi pisado por outras. O portal é uma ferramenta pequena diante de um problema grande, mas acredito que tornar esse trabalho visível é o primeiro passo para torná-lo irreversível”, afirma Mariana Klein.
O funcionamento da plataforma começa com uma inscrição em seis etapas, com consentimento em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Depois, os perfis são enriquecidos com dados do Currículo Lattes, incluindo publicações, orientações e projetos. A partir daí, as pesquisadoras passam a integrar um diretório público com informações sobre área de atuação, instituição e produção científica, além de espaço para divulgação em blog e redes sociais.
Além do diretório, o portal reúne ferramentas como livraria digital, mapeamento institucional, área de conteúdo e previsão de uma futura sessão para grupos de pesquisa. O plano de expansão foi dividido em fases. A meta intermediária, prevista para setembro de 2026, é alcançar 500 pesquisadoras ativas, 1.500 publicações e mais de 25 instituições representadas. Já a meta anual, projetada para março de 2027, é chegar a 5 mil pesquisadoras, mais de 15 mil publicações e 80 instituições, além da ampliação da livraria digital e da comunidade formada nas redes profissionais.
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