O Instituto Sustentabilidade Brasil (ISB) realizou, nesta sexta-feira (24), às 9h, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o lançamento do livro Transformar para Existir: Políticas, Tecnologias e Justiça Climática e o anúncio oficial do edital da Jornada Científica da Conferência Nacional Sustentabilidade Brasil (CNSB) 2026. A iniciativa marca uma nova etapa da agenda científica do evento, com foco na produção de conhecimento, na justiça climática e na integração entre universidade, poder público, sociedade civil e instituições ambientais.
A publicação coletiva foi elaborada em parceria entre o ISB, a Ufes e o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), a partir de debates e contribuições reunidos na agenda da Conferência Sustentabilidade Brasil. O livro reúne os artigos selecionados na primeira Jornada Científica da Conferência Sustentabilidade Brasil 2025, realizada em Vitória (ES), entre 11 e 14 de junho de 2025, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Federal do Espírito Santo (PPGES-UFES) e Kick, empresa de comunicação ambiental.
A diretora de projetos do ISB, Mariana Klein, anunciou que a Jornada Científica será ampliada em 2026 e passará a estar presente em todas as conferências, com painéis e grupos de trabalho. “A proposta é que a participação não fique restrita ao meio acadêmico ou aos pesquisadores, mas esteja aberta também à sociedade civil e a todos que tenham contribuições a apresentar”, disse Mariana.

De acordo com a diretora, o edital terá mais vagas e ficará disponível no site do Instituto Sustentabilidade Brasil, com formulário de inscrição aberto. Serão aceitos 24 trabalhos para apresentação no próximo ano. A publicação em livro dependerá do interesse dos autores e das adequações solicitadas pela comissão técnica.
“A expectativa é ampliar a diversidade de vozes, furar bolhas e reunir contribuições de diferentes áreas e grupos, para que o próximo livro seja ainda mais representativo”, completou.
Hora de celebrar e unir forças
O presidente do Instituto Sustentabilidade Brasil, Elias Carvalho afirmou que a publicação é resultado direto dos debates iniciados na Conferência Sustentabilidade Brasil 2025, quando mais de 300 especialistas discutiram 40 pautas ligadas ao desenvolvimento sustentável. “Todo esse conteúdo foi registrado e deu origem a um documento robusto, levado à COP30”, destacou Carvalho.

O presidente do ISB também ressaltou que a instituição atua como um espaço de articulação entre pessoas e organizações comprometidas com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Para ele, a parceria com a Ufes e o IJSN é estratégica para ampliar o alcance da pauta ambiental no Espírito Santo e aproximar sustentabilidade, educação, Pacto Global e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
“Essa transformação só será possível com união de forças entre a Ufes, o Instituto Jones dos Santos Neves, o poder público, a iniciativa privada e demais instituições parceiras”, afirmou.
Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental no IJSN, Pablo Lira, um dos coordenadores da publicação, destacou que a sustentabilidade se tornou uma premissa essencial para o desenvolvimento de municípios, estados e países. “O Espírito Santo tem se destacado no Brasil por políticas públicas nessa área, como o Reflorestar, programa de pagamento por serviços ambientais que contribuiu para a recuperação de mais de 20 mil hectares de Mata Atlântica entre 2015 e 2020”, afirmou.

Para Lira, a Conferência Sustentabilidade Brasil contribui para dar visibilidade nacional e internacional às experiências capixabas e para transformar debates em resultados concretos. Segundo ele, o livro lançado na Ufes reúne registros importantes para elaborar, aprimorar e replicar políticas públicas. “O Instituto Jones reforça e renova essa parceria porque pensar o futuro das cidades e das nações exige, necessariamente, pensar de forma sustentável”, destacou.
O diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves, Antonio Ricardo Freislebem da Rocha, avaliou que a publicação expressa a diversidade de saberes envolvida na agenda da sustentabilidade. “Esse trabalho mostra que o guarda-chuva da sustentabilidade é amplo, diverso e construído de forma coletiva. Para mim, essa é a maior conquista: furar bolhas, aproximar pessoas, misturar conhecimentos e ver nascer resultados concretos e relevantes”, afirmou.

O coordenador do Programa de Engenharia de Desenvolvimento Sustentável da Ufes e também coordenador da publicação, Alvim Borges, falou sobre a parceria entre o ISB e a universidade e destacou que o fato de a Conferência Nacional Sustentabilidade Brasil deste ano ser realizada na Ufes fortalece o diálogo entre ciência, sociedade e instituições.

“A abertura da Ufes permite dar voz a diferentes parcelas da sociedade, fortalecendo o diálogo entre áreas, instituições e camadas sociais. É isso que a sustentabilidade representa: integração, diversidade de conhecimentos e construção coletiva”, disse.
Alvim também afirmou que o lançamento encerra uma primeira etapa do trabalho, mas marca o início de uma nova fase de cooperação entre as instituições envolvidas.
O presidente licenciado do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES), Jorge Silva, também esteve presente no lançamento e destacou que desenvolvimento e sustentabilidade precisam caminhar juntos. “Nosso trabalho no conselho está ligado ao desenvolvimento dos municípios, do estado e do país, mas não há progresso verdadeiro sem sustentabilidade. Hoje, o mundo exige práticas sustentáveis, e não há espaço no mercado para produção e produtividade que ignorem essa responsabilidade”, afirmou.

Jorge Silva também defendeu a integração entre ISB, Ufes, IJSN e demais instituições como caminho para ampliar a consciência sobre desenvolvimento sustentável e fortalecer parcerias de longo prazo.
Também presente no evento, o professor, engenheiro florestal, advogado, doutor em Ciência Florestal e ambientalista Luiz Fernando Schettino defendeu maior cooperação entre instituições e mais qualificação técnica nas áreas ambientais, especialmente nos municípios.

“Precisamos mudar a cultura de isolamento dentro das instituições e abrir mais espaço para a cooperação. É necessário somar esforços, chamar quem pode contribuir e construir um ambiente em que todos ganhem”, afirmou.
Com o lançamento do livro e a abertura do edital da Jornada Científica, a CNSB 2026 reforça sua proposta de conectar ciência, gestão pública, sociedade civil e iniciativas institucionais em torno de uma agenda comum. A expectativa é que os trabalhos selecionados ampliem a produção científica ligada à sustentabilidade e contribuam para o debate sobre políticas, tecnologias e justiça climática no Brasil.
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