O Brasil estabeleceu como meta alcançar emissões líquidas zero de gases de efeito estufa até 2050, segundo o Plano Nacional sobre Mudança do Clima 2024–2035. Na prática, isso significa reduzir ao máximo as emissões geradas por atividades como agropecuária, energia, transportes e indústria e compensar o volume restante com ações que removam carbono da atmosfera, como a preservação e recuperação de florestas e outros ecossistemas naturais.
A diretriz está no centro do Plano Clima, guia de implementação da meta climática nacional sob o Acordo de Paris (a NDC, na sigla em inglês). O documento, aprovado pelo governo federal e divulgado na última quinta-feira (5), passa a orientar a política climática do país até 2035. O documento organiza as ações brasileiras em três frentes: mitigação das emissões, adaptação aos impactos das mudanças do clima e estratégias transversais voltadas à governança, financiamento, capacitação e monitoramento.
O Plano Clima 2024–2035 é o instrumento operacional. Ele define o que o Brasil vai fazer agora e na próxima década, com metas intermediárias, ações setoriais, indicadores e governança. É o plano que organiza políticas públicas, orçamento, responsabilidades e monitoramento no curto e médio prazo.
Já 2050 é o horizonte estratégico de longo prazo assumido pelo Brasil no cenário internacional. Ao aderir ao Acordo de Paris, o país se comprometeu a contribuir para limitar o aquecimento global e, como parte disso, apresentou uma meta de neutralidade climática até 2050, ou seja, emissões líquidas zero. Na prática, 2050 é o destino e 2024–2035 é o trecho atual da estrada.
Mitigação
No eixo da mitigação, o plano define metas intermediárias para 2030 e 2035, com redução progressiva das emissões em setores estratégicos. Entre eles estão o uso da terra e florestas, a agricultura e a pecuária, a geração de energia, os transportes, as cidades, a indústria e a gestão de resíduos. A lógica é alinhar o desenvolvimento econômico a uma trajetória de baixo carbono, aproveitando vantagens brasileiras como a matriz energética renovável e a biodiversidade.
Já o eixo da adaptação parte do reconhecimento de que os impactos climáticos já estão em curso. O plano estabelece metas nacionais e setoriais para reduzir riscos associados a secas, enchentes, ondas de calor e outros eventos extremos. A prioridade recai sobre populações mais vulneráveis e territórios mais expostos, incorporando princípios como justiça climática, combate ao racismo ambiental e proteção de povos indígenas e comunidades tradicionais.
Estratégias do Plano Clima
Para garantir que as metas saiam do papel, o Plano Clima prevê estratégias transversais de implementação. Entre elas estão o fortalecimento da governança climática, a integração entre ministérios e entes federativos, a ampliação da transparência e a criação de mecanismos de monitoramento e avaliação contínua das ações.
O documento também alerta para os custos da inação. Estudos utilizados como base indicam que a falta de medidas estruturadas para enfrentar a mudança do clima pode gerar perdas econômicas expressivas ao país nas próximas décadas, com impactos sobre o Produto Interno Bruto, o emprego e as desigualdades regionais.
Com o Plano Clima, o governo busca consolidar um planejamento de longo prazo que conecte compromissos internacionais, política pública e desenvolvimento sustentável, tendo como horizonte final a neutralidade climática até a metade do século.
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