Pesquisas inovadoras impulsionam monitoramento ambiental e educação no Espírito Santo

Estudos revelam novas abordagens para monitorar poluição, fortalecer relação com a natureza e avaliar sequestro de carbono

Iema praia mar
Foto: divulgação/Iema -

Novas perspectivas para o monitoramento ambiental e a educação ambiental no Espírito Santo emergem de pesquisas recentes apoiadas pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). Os estudos, realizados em áreas de conservação estaduais e organizados pelo Núcleo de Informação e Conservação de Biodiversidade (Nubio) do órgão, foram apresentados na última semana e prometem contribuir significativamente para futuras ações de manejo que reconheçam o papel crucial das unidades de conservação.

Uma das pesquisas, conduzida pelo doutorando Carlos Augusto Vidigal Fraga Júnior, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), explorou o uso de líquens como bioindicadores da qualidade do ar na Região Metropolitana de Vitória. Ao comparar o Parque Estadual Paulo César Vinha (PEPCV) com áreas urbanizadas, o estudo revelou que o biomonitoramento com líquens oferece uma alternativa ecologicamente sensível e complementar às medições instrumentais tradicionais.

Outro estudo relevante, liderado por Maria Aparecida Beltrame Milanesi, investigou a relação entre o sentimento de pertencimento e a conscientização ambiental entre moradores de zonas de amortecimento. Focada na Reserva Biológica de Duas Bocas (Rebio Duas Bocas), a pesquisa envolveu alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Sebastião Rodrigues Sobrinho, em Cariacica. Através de atividades lúdicas e questionários aplicados após uma visita à reserva, os resultados indicaram que, embora a natureza ainda pareça distante para os estudantes, o contato com ela evoca sentimentos positivos. A pesquisadora enfatiza a necessidade de ações educativas para fortalecer essa conexão e promover o cuidado com a biodiversidade.

A terceira pesquisa apresentada, da pesquisadora Gabrielli Machado Bindeli, utilizou imagens de satélite para quantificar o sequestro de carbono nos parques estaduais de Pedra Azul (Pepaz) e Paulo César Vinha. Os resultados mostraram que o Pepaz, com sua maior área de florestas densas, apresenta uma taxa de sequestro de carbono superior ao PEPCV. Contudo, a pesquisadora ponderou que a análise se limitou ao carbono superficial, sem considerar o estoque total.

Em um contexto mais amplo de desafios ambientais, os pesquisadores alertam: “As secas representam uma ameaça crescente com impactos sociais e ecológicos severos, desde a escassez de água potável e quebras de safra até incêndios florestais e a degradação de ecossistemas inteiros. Impulsionadas pelas mudanças climáticas, essas secas estão se tornando mais rápidas, intensas e duradouras, com eventos multianuais amplificando os efeitos ecológicos à medida que as defesas naturais dos ecossistemas se esgotam, conforme destacado pelo estudo de Chen et al., que aponta para o impacto crescente na vegetação devido a anomalias de precipitação e demanda atmosférica.”

A servidora do Iema responsável pela Nubio, Savana Nunes, ressaltou a importância dessas investigações para o futuro das unidades de conservação estaduais. “As pesquisas apresentadas demonstram a importância da ciência no desenvolvimento de estratégias eficazes para a conservação ambiental. O conhecimento gerado não apenas aprimora o manejo das unidades de conservação, mas também fortalece a formulação de políticas públicas voltadas para o melhor nas áreas de conservação”, afirmou.

Os estudos recentes apoiados pelo Iema e organizados pelo Nubio representam um avanço significativo para a gestão ambiental no Espírito Santo, oferecendo ferramentas e conhecimentos valiosos para a proteção da biodiversidade e a promoção da educação ambiental.

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