ESG não é marketing ambiental, nem ação pontual de sustentabilidade. É, acima de tudo, uma ferramenta de gestão de risco corporativo, segundo o especialista Daniel Lyrio, CEO da Lyrio ESG Sustentabilidade, que atua há mais de 15 anos com gestão ambiental, inovação climática e projetos de baixo carbono.
Em entrevista ao Instituto Sustentabilidade Brasil (ISB), ele salientou que ESG e sustentabilidade não são sinônimos. Segundo Lyrio, os dois conceitos caminham em paralelo, mas não se misturam.
“A sustentabilidade nasceu nos anos 1980, com o relatório da ONU, e está ligada ao cuidado com o planeta, com as pessoas e com as futuras gerações. O ESG surge em 2004, no Fórum Econômico Mundial, como um instrumento de avaliação e gestão de risco para empresas, bancos e investidores”, explicou.
ESG é gestão estruturada
O ESG (sigla, em inglês, para Ambiental, Social e Governança) funciona como um modelo estruturado de diagnóstico, capaz de identificar fragilidades operacionais, riscos reputacionais, financeiros e legais dentro das organizações.
Lyrio foi enfático ao afirmar que não existe ESG de curto prazo. “Não há varinha de condão. ESG não se faz em dois meses, nem com relatório comprado”, disse.
De acordo com ele, um trabalho sério começa com um diagnóstico que pode levar de três a quatro meses, seguido da construção da matriz de materialidade, que identifica os pontos mais críticos da empresa a partir do diálogo com stakeholders internos e externos. Só depois vem o plano de ação e, em média, após um ano, o primeiro relatório de sustentabilidade. “ESG é médio e longo prazo. É uma cultura organizacional. Sem transparência e dados, não existe ESG”, reforçou.
Casos emblemáticos
Para ilustrar os riscos de uma gestão falha, o professor citou exemplos conhecidos do mercado. Um deles foi o colapso da de uma empresa de produtos fotográficos, que ignorou os impactos da fotografia digital. Outro, mais recente, envolve grandes grupos brasileiros atingidos por crises de governança.
“O que quebrou essas empresas não foi o ambiental, foi a governança. Decisões tomadas sabendo dos riscos, mas ignoradas por interesse financeiro. ESG serve exatamente para fechar essas ‘goteiras’ antes que o estrago aconteça”, afirmou.
Assim, segundo ele, acidentes ambientais, escândalos financeiros e crises trabalhistas quase sempre revelam ausência de gestão de risco estruturada.
Ele lembra que, a partir deste ano, empresas de capital aberto no Brasil serão obrigadas a publicar relatórios de sustentabilidade, o que aumenta a demanda por gestores e consultores ESG qualificados.
“Não adianta contratar alguém para fazer um relatório bonito se a empresa não tem base, não tem gestão de risco. Isso será auditado. Quem fizer errado vai responder”, alertou.
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