Carbono azul: aliado poderoso contra as mudanças climáticas

Conheça o carbono azul e o papel vital de manguezais brasileiros na redução de emissões de carbono na atmosfera

Carbono Azul manguezais
Foto: Ufes/divulgação -

Enquanto as atenções se voltam frequentemente para as florestas terrestres na batalha contra o aquecimento global, um aliado poderoso, muitas vezes subestimado, reside em nossos oceanos e costas: o carbono azul. Mas o que exatamente é esse termo e por que ele é tão crucial para o futuro do planeta?

O carbono azul se refere ao dióxido de carbono (CO2) capturado e armazenado por ecossistemas costeiros e marinhos. Imagine a capacidade de uma floresta de absorver carbono da atmosfera; agora, estenda essa ideia para os manguezais, pântanos salgados e prados de ervas marinhas que adornam nossas linhas costeiras. Esses ambientes únicos não apenas retiram o CO2 da atmosfera, mas também dos próprios oceanos, armazenando-o de forma eficiente em suas plantas e nos sedimentos abaixo.

Neste cenário, a proteção dos manguezais do Brasil pode ajudar o país a cumprir as metas de redução de emissões de carbono, segundo uma pesquisa da National Geographic e da Expedição Perpetual Planet Amazônia da Rolex publicada na revista científica Nature Communications. Intitulado A inclusão dos manguezais da Amazônia no programa REDD+ do Brasil, o estudo tem a participação do professor do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e explorador da National Geographic, Angelo Bernardino.

 “As nossas descobertas sugerem que, ao mitigar a perda de apenas um hectare de manguezais, chegamos a proteger o equivalente a mais de 100 hectares de florestas secundárias de terras altas, em termos de emissões de carbono evitadas. Interromper o desmatamento de manguezais no bioma da Amazônia brasileira evitaria emissões equivalentes àquelas emitidas por mais de 200 mil carros movidos a gasolina todos os anos. Temos uma oportunidade única de abordar essa lacuna para aprimorar os esforços de conservação do Brasil no bioma Amazônia”, destaca o professor.

Campeões na absorção de carbono:

  • Manguezais: essas florestas resilientes, que prosperam na transição entre a terra e o mar em regiões tropicais e subtropicais, possuem uma capacidade extraordinária de sequestrar carbono. Suas raízes complexas e o solo rico em matéria orgânica atuam como verdadeiros cofres de carbono.
  • Pântanos salgados (ou marismas): encontrados em áreas costeiras de clima temperado, esses ecossistemas úmidos, dominados por vegetação herbácea tolerante ao sal, também são poderosos sumidouros de carbono. A lenta decomposição da matéria orgânica em ambientes alagados contribui para o armazenamento de longo prazo do carbono.
  • Prados de ervas marinhas: formando vastos tapetes verdes subaquáticos em águas costeiras rasas, as ervas marinhas também desempenham um papel vital. Apesar de sua aparência modesta, esses prados são capazes de armazenar carbono em seus tecidos e nos sedimentos marinhos.

Mais que um sumidouro de carbono:

A importância do carbono azul vai além da simples captura de CO2. Esses ecossistemas oferecem uma gama de outros benefícios cruciais:

  • Proteção costeira: manguezais e pântanos salgados atuam como barreiras naturais, protegendo as comunidades costeiras contra tempestades, ondas e a elevação do nível do mar.
  • Berçário da vida marinha: esses ambientes fornecem abrigo, alimento e áreas de reprodução para uma vasta diversidade de espécies marinhas, incluindo peixes, crustáceos e aves.
  • Melhoria da qualidade da água: as plantas nesses ecossistemas ajudam a filtrar poluentes e sedimentos, contribuindo para a saúde dos oceanos.

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