Brasil lidera pelo exemplo o financiamento climático através da cooperação

Foto: COP30.br -

“A COP30 é uma COP de financiamento porque é uma COP de implementação”, resumiu Ana Toni, diretora executiva da COP30, durante participação de evento em alusão os dois anos do “Novo Brasil – Plano de Transformação Ecológica”, nesta quinta-feira, 28/8, durante a Rio Climate Week. O programa propõe políticas e ferramentas para impulsionar o desenvolvimento sustentável e de baixo carbono no país. Ele funciona como uma espécie de “manual” de como as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês) brasileiras devem ser aplicadas.

Também conhecido como Pacto de Transformação Ecológica, o compromisso assinado pelos chefes dos três poderes do Brasil é um exemplo de como a implementação dos compromissos internacionais pode ser realidade, como propõe a presidência da COP30. Para isso, a cooperação entre pastas do governo, Meio Ambiente e Fazenda, e também poderes políticos faz a diferença. Ana Toni contou que recebeu elogios por essa integração reconhecida no Brasil, durante reunião de ministros do Meio Ambiente, na Cidade do México, que ela participou nesta semana.

“Há sede de tentar entender como estamos fazendo isso no Brasil, o que estamos fazendo e como unimos esse esforço para trazer algo concreto na COP30. O que mais me motiva na COP30 é sair de grandes números, e o Círculo de Finanças tem feito esse trabalho incrível, de sair dos trilhões, bilhões, que precisamos mobilizar”, explicou a diretora executiva sobre o trabalho de detalhar, por exemplo, como funciona o mercado de carbono, as formas investimento sustentável, tipos de fundo global para preservação ambiental, entre outros.

Esses assuntos são tratados no âmbito do Círculo de Finanças da COP30, que foi criado para fornecer insumos ao Mapa do Caminho de Baku a Belém. O documento em construção fornecerá insumos para alcançar o 1,3 trilhão de dólares destinado ao financiamento climático dos países em desenvolvimento.

 “A gente bebe dos processos internacionais, ao mesmo tempo que também busca transformar a relação direta construindo em parceria. No G20 fomos felizes nisso porque quando o presidente [Lula] estabeleceu a força tarefa do clima, essa conjunção interessante de pessoas e articulação entre [os ministérios de] Relações Exteriores, Meio Ambiente e Fazenda, nos forneceu um ambiente muito propício e conseguimos levar com sucesso para fora. Isso foi importante para o Círculo que temos hoje”, refletiu a embaixadora Tatiana Rosito, que integra o Círculo de Finanças.

Entregas

A também secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda relembrou que a cooperação iniciada no G20 deu origem ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) – um fundo global que pretende remunerar os países por manter as florestas em pé. Durante a presidência brasileira à frente do BRICS, esse debate continuou culminando na primeira Declaração sobre Financiamento Climáticos dos países do Sul Global.

E, agora, na COP30, o TFFF deve ser lançado oficialmente, após debates no Círculo de Finanças. Esse fundo global tem como objetivo remunerar anualmente os países que preservarem suas florestas tropicais. Há potencial de proteger até 1 bilhão de hectares em mais de 70 países e mobilizar até 125 bilhões de dólares por meio de financiamento misto.

Além deste mecanismo, também será apresentada a “Coalizão Aberta para Mercados de Carbono Regulados”, que pretende ser uma Aliança Internacional para integrar sistemas de precificação de carbono e estabelecer padrões comuns de comercialização entre países. 

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