A Conferência Nacional Sustentabilidade Brasil 2026 (CNSB) encerrará seu ciclo nacional nos dias 27 e 28 de outubro, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Vitória, com uma programação voltada à aplicação prática das políticas climáticas. Durante os dois dias, os debates vão tratar dos caminhos necessários para transformar recursos financeiros, instrumentos de mercado, pesquisas científicas e compromissos ambientais em projetos que possam ser executados nos territórios.
A programação será formada por palestras, painéis técnicos, apresentação dos resultados dos Grupos de Trabalho e exposição dos artigos selecionados pela Jornada Científica. O encontro reunirá discussões iniciadas nas etapas do Espírito Santo, do Rio Grande do Norte e da Paraíba, permitindo que problemas de diferentes regiões sejam analisados dentro de uma agenda nacional de sustentabilidade.
Um dos principais eixos será o financiamento climático. Os debates vão abordar como empresas, governos, comunidades e organizações podem acessar recursos destinados à redução das emissões de gases de efeito estufa, à adaptação às mudanças climáticas e à recuperação ambiental.
A programação também pretende discutir por que muitos projetos com potencial ambiental e social não conseguem chegar às instituições financeiras. Entram nesse debate aspectos como garantias, elaboração técnica, medição de resultados, riscos dos investimentos e criação de modelos capazes de atrair recursos públicos e privados.
Entre os assuntos previstos está o funcionamento do Fundo de Descarbonização do Espírito Santo e as condições para que os recursos disponíveis sejam destinados a projetos concretos. O debate deverá mostrar quais iniciativas podem receber financiamento, quais critérios precisam ser atendidos e como diferentes setores podem preparar propostas com capacidade de execução.
Outro tema será o Plano de Descarbonização do Espírito Santo e o objetivo de alcançar a neutralidade de carbono até 2050. A discussão envolve mudanças nos processos industriais, uso de fontes de energia com menor emissão, melhoria da eficiência produtiva, inovação tecnológica e criação de incentivos econômicos para que empresas e cadeias produtivas reduzam sua pegada de carbono.
O mercado de carbono também terá espaço na programação. O assunto será analisado a partir da implantação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, das etapas de regulamentação e dos mecanismos necessários para medir, relatar e verificar as reduções de emissões.
A proposta é discutir como o novo mercado poderá afetar empresas, projetos ambientais, produtores rurais e governos. Também estarão em análise os critérios de integridade que devem impedir a venda de créditos sem benefícios climáticos comprovados e garantir que os resultados apresentados possam ser verificados.
Os biomas serão abordados como parte da infraestrutura necessária para enfrentar a mudança do clima. Manguezais, áreas costeiras, Mata Atlântica e Caatinga não serão tratados apenas como espaços de conservação, mas como territórios capazes de armazenar carbono, proteger cidades, reduzir os efeitos de eventos extremos e manter atividades econômicas.
No caso dos manguezais, a programação discutirá o carbono azul, nome dado ao carbono capturado e armazenado por ecossistemas costeiros. O debate inclui a possibilidade de estruturar projetos financiáveis nesses ambientes, sem deixar de considerar a proteção da biodiversidade e a participação das comunidades que dependem dos territórios.
A relação entre clima e povos tradicionais será outro ponto da conferência. Os resultados dos Grupos de Trabalho deverão mostrar caminhos para que comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais tenham acesso a instrumentos financeiros compatíveis com suas formas de organização, seus prazos e suas atividades produtivas.
A discussão parte do entendimento de que muitas dessas comunidades já desenvolvem ações de conservação, recuperação ambiental e produção sustentável, mas enfrentam dificuldades para atender às exigências convencionais do sistema de crédito. A programação deverá apresentar propostas para aproximar instituições financeiras dos projetos desenvolvidos nos territórios.
A transição energética justa também integra os debates. O tema envolve a ampliação de fontes como energia solar, eólica, biometano e hidrogênio, além dos impactos sociais, econômicos e ambientais provocados pela implantação de novos projetos.
Mais do que substituir uma fonte de energia por outra, a conferência pretende discutir quem recebe os investimentos, quem fica com os benefícios e quais comunidades assumem os impactos das novas infraestruturas. A agenda inclui ainda a necessidade de qualificação profissional, diversificação econômica e inclusão das populações afetadas nas decisões.
As cidades e áreas costeiras serão analisadas diante do aumento dos riscos climáticos. Enchentes, erosão costeira, elevação do nível do mar, ondas de calor, drenagem urbana e ocupação de áreas vulneráveis estão entre os problemas relacionados a esse eixo.
Um dos painéis tratará da relação entre risco climático, seguros e adaptação. O objetivo será discutir como calcular as perdas associadas aos eventos extremos, financiar obras preventivas e criar mecanismos de proteção para municípios, empresas, produtores e famílias expostas a desastres.
A Jornada Científica levará para a programação pesquisas sobre problemas concretos dos territórios. Os artigos selecionados poderão abordar temas como enchentes, erosão costeira, energia, biomas, crédito rural, financiamento climático, justiça socioambiental e políticas públicas.
A apresentação dos estudos busca aproximar a produção acadêmica das decisões tomadas por gestores públicos, empresas e organizações sociais. A proposta é valorizar trabalhos que ofereçam diagnósticos, metodologias e soluções que possam ser aplicadas fora das universidades.
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