A escolha dos temas e especialistas da Conferência Nacional Sustentabilidade Brasil 2026 (CNSB) segue uma lógica diferente da seleção tradicional de palestrantes em eventos. Em vez de partir apenas de nomes conhecidos pelo grande público ou de profissionais com maior exposição no mercado, a curadoria adota a metodologia “bola de neve”, em que um especialista indica outro e o processo vai se ampliando a partir da reputação técnica entre pares.
A curadoria é liderada pela Kick e parte da premissa de que “ninguém sabe tudo, mas muita gente sabe muito”. Na prática, isso significa que os temas não são definidos de forma fechada logo no início. Eles passam por rodadas sucessivas de escuta, indicação e refinamento, até que as principais lacunas apareçam e os nomes com contribuição real para cada assunto sejam identificados.
A metodologia recebe o nome de “bola de neve” porque funciona por expansão. Um pesquisador, gestor público, financiador, liderança comunitária ou representante de povos tradicionais indica outro especialista com domínio sobre determinado tema. Esse novo nome, por sua vez, pode apontar outros profissionais e experiências relevantes. A cada rodada, a rede cresce, mas também se torna mais precisa.
Esse desenho também ajuda a explicar a diversidade de perfis envolvidos na conferência. A CNSB reúne pesquisadores, lideranças comunitárias, gestores públicos, financiadores e povos tradicionais, com o entendimento de que o conhecimento não nasce apenas nas universidades, mas também na oralidade, na memória e na experiência de quem vive os desafios ambientais e sociais nos territórios.
Na edição de 2025, mais de 1.500 especialistas foram ouvidos no processo de curadoria. A conferência também registrou mais de 300 participantes ativos como painelistas, integrantes de grupos de trabalho ou da Jornada Científica, além de público presencial superior a 2.400 pessoas.
Para 2026, a CNSB estrutura os debates a partir de grupos de trabalho voltados a temas como financiamento de projetos de povos tradicionais, carbono azul em manguezais, descarbonização da cadeia produtiva e integração entre Caatinga e carbono azul. A programação nacional terá etapas no Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Paraíba, além do encerramento nacional na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Vitória.
Além da escolha dos especialistas, a conferência trabalha com metas de representatividade desde o início da curadoria. A proposta prevê no mínimo 50% de mulheres com voz nos palcos e 40% de diversidade. Além disso, a CNSB não trabalha com influenciadores nem com formatos de entretenimento, e que a participação dos especialistas não é remunerada.
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