Trabalho entre estados amplia respostas às mudanças climáticas

Estados brasileiros avançam na agenda climática por meio da cooperação federativa na Câmara Técnica do Clima da Abema

Mudanças climáticas

O trabalho de prevenção, adaptação e educação sobre os efeitos das mudanças climáticas é atribuição também dos estados, individualmente, mas a mitigação do problema exige atuação conjunta e coordenada. Diante de um desafio que ultrapassa fronteiras administrativas e biomas, a integração entre governos estaduais tem se mostrado decisiva para transformar compromissos climáticos em políticas públicas efetivas, capazes de responder às diferentes realidades ambientais do país.

Essa união de esforços ganha mais protagonismo a partir do trabalho da Câmara Técnica do Clima da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema). Representantes de diferentes regiões do país relatam como a cooperação federativa tem sido decisiva para transformar compromissos climáticos em políticas públicas concretas, respeitando as diversas realidades ambientais do território nacional.

Criada para apoiar tecnicamente a associação nas discussões sobre mudanças climáticas, a Câmara Técnica reúne secretarias estaduais e órgãos executores de meio ambiente. O grupo é responsável, entre outras ações, pela construção da Carta de Compromissos pelo Clima da Abema, assinada por todos os estados, e pelo desenvolvimento de ferramentas como o roadmap climático, que permite acompanhar a evolução das políticas estaduais.

Segundo Juliana Reis, coordenadora da Câmara Técnica pelo Espírito Santo, o trabalho coletivo tem sido essencial para organizar a atuação dos estados em diferentes espaços de discussão. “A Câmara Técnica do Clima foi criada justamente para auxiliar a Abema nas discussões climáticas. A partir da carta de compromissos, os estados passaram a trabalhar de forma estruturada, acompanhando avanços e criando grupos de trabalho temáticos para construir agendas conjuntas e qualificadas”, afirmou.

Mobilização contra mudanças climáticas

A coordenação nacional do grupo envolve um desafio logístico e político: articular 27 unidades federativas, cada uma com suas especificidades institucionais e ambientais. Para Vanessa Dunga, coordenadora da Câmara Técnica pelo Rio Grande do Norte, essa diversidade é também um dos principais ativos da iniciativa. “São realidades muito distintas, com estágios diferentes de implementação de políticas climáticas. O esforço é fazer com que essa diversidade funcione como rede, e não como competição, permitindo que os estados avancem juntos a partir da troca de experiências”, destacou.

Na prática, a Câmara Técnica funciona como um espaço de convergência entre dados, diagnósticos e estratégias. Para Ricardo Andreazza, representante do Rio Grande do Sul, essa articulação fortalece a formulação de políticas públicas nos estados. “A Câmara Técnica amplia o diagnóstico nacional, organiza informações e transforma estudos em ferramentas de política pública. Isso cria um ambiente de cooperação, no qual os estados se apoiam mutuamente para enfrentar um problema que exige ações conjuntas, como as mudanças climáticas”, explicou.

Com a revisão dos compromissos climáticos já em andamento, a Câmara Técnica do Clima consolida-se como um espaço permanente de cooperação entre os estados, capaz de articular diferentes realidades regionais em torno de objetivos comuns. A troca de experiências, o compartilhamento de dados e a construção conjunta de instrumentos de acompanhamento reforçam a capacidade dos governos estaduais de transformar metas em ações concretas, fortalecendo políticas públicas ambientais mais integradas, consistentes e alinhadas aos desafios atuais das mudanças climáticas no país e no mundo.

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