O aumento dos eventos climáticos extremos e a expansão das energias renováveis estão transformando a forma como os sistemas elétricos são operados no Brasil. No Espírito Santo, a inauguração de um novo Centro de Operação Integrado da EDP busca preparar a rede elétrica para esse cenário de maior complexidade e para respostas mais rápidas diante de crises.
Localizado em Carapina, no município da Serra, o centro recebeu investimento de R$ 72 milhões e passa a monitorar em tempo real todo o sistema elétrico operado pela companhia no estado. A estrutura integra sensores, plataformas de dados e sistemas inteligentes capazes de identificar falhas, redistribuir cargas e isolar problemas em poucos segundos.
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, afirmou que a modernização da infraestrutura elétrica se torna estratégica diante da repetição de eventos climáticos extremos.
“Cada vez mais nós temos eventos climáticos extremos. Ter infraestrutura tecnológica para monitorar e responder mais rapidamente é muito importante para a gestão desses eventos em áreas críticas”, afirmou.
O novo centro funciona 24 horas por dia e acompanha cerca de 69,3 mil quilômetros de redes elétricas e 117 subestações que atendem 70 municípios capixabas. A estrutura também permite acompanhar em tempo real as equipes de campo, reduzindo o tempo de deslocamento e acelerando o restabelecimento do fornecimento em caso de interrupções.
Segundo João Brito Martins, CEO da EDP na América do Sul, a digitalização da rede elétrica se tornou essencial também diante das mudanças no próprio modelo de geração de energia.
“Hoje muitos clientes geram energia, principalmente por meio de painéis solares. Em determinados momentos do dia, essa energia volta para a rede, o que exige uma capacidade de resposta muito rápida para equilibrar produção e consumo”, afirmou.
Ele explica que o setor elétrico exige equilíbrio permanente entre geração e demanda. Qualquer descompasso pode provocar falhas no sistema ou interrupções no fornecimento.
“Se houver um desbalanceamento entre produção e consumo, pode ocorrer falta de energia. Por isso, a rede precisa ser monitorada em tempo real para garantir estabilidade”, disse.
O executivo destacou que grande parte dos investimentos feitos na nova estrutura está concentrada em tecnologia e processamento de dados.
“Boa parte do investimento não se vê. Ele está no software, na capacidade de processamento de dados e na infraestrutura que permite interpretar milhões de informações em tempo real”, afirmou.
Além do Centro de Operação Integrado, o complexo também abriga o Centro Integrado de Medição e o Centro Integrado de Segurança. As estruturas monitoram o consumo de energia em tempo real, identificam irregularidades no sistema e acompanham a segurança de subestações e instalações operacionais.
Somente em janeiro de 2026, o sistema de medição monitorou mais de 311 mil clientes nos 70 municípios atendidos pela companhia no estado.
A modernização da rede elétrica também faz parte de um plano mais amplo de investimentos da empresa. A EDP anunciou aportes de R$ 5 bilhões entre 2025 e 2030, voltados à ampliação de subestações, modernização de redes e adoção de tecnologias de automação e digitalização.
Parte dos investimentos está relacionada ao fortalecimento da resiliência da rede diante de tempestades, enchentes e outros eventos climáticos cada vez mais frequentes.
Outro avanço esperado para os próximos anos é o desenvolvimento de sistemas de armazenamento de energia por baterias. A tecnologia permitirá armazenar o excedente de energia solar gerado durante o dia e utilizá-lo em horários de maior demanda, contribuindo para a estabilidade do sistema elétrico.
Para o governo do estado, a modernização da infraestrutura energética também tem papel estratégico no desenvolvimento econômico do Espírito Santo.
Segundo Casagrande, a ampliação da segurança no fornecimento de energia ajuda a sustentar a atração de novas empresas e a manter o crescimento econômico do estado em ritmo superior à média nacional, ao mesmo tempo em que prepara o sistema elétrico para os desafios climáticos das próximas décadas.
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