O desperdício de alimentos preocupa a população brasileira, mas ainda ocupa um espaço marginal entre os principais problemas do país. É o que mostra a pesquisa “Brasil Sem Desperdício”, realizada com consumidores em todas as regiões do país, pelo WWF-Brasil e WRAP, em parceria com o Instituto Akatu e a Market Analysis.
De acordo com o levantamento, apenas 1% dos brasileiros considera o desperdício de alimentos como um dos principais problemas nacionais. O tema aparece atrás de questões como violência, corrupção, desemprego e fome, que concentram a maior parte das preocupações da população.
Apesar disso, o nível de preocupação individual é elevado. Cerca de 59,9% afirmam se preocupar muito com o desperdício, enquanto mais de 95% dizem já ter algum grau de conhecimento sobre o tema. O dado revela uma desconexão entre percepção pessoal e mobilização coletiva.
A pesquisa foi conduzida em agosto de 2025 com mil entrevistados em todo o país, por meio de survey online, com nível de confiança de 95% e margem de erro de três pontos percentuais. O estudo também incluiu grupos focais qualitativos para aprofundar comportamentos e percepções.
Os resultados indicam que o desperdício é amplamente condenado no plano moral, mas naturalizado no cotidiano. Situações como esquecer alimentos na geladeira, descartar produtos fora do padrão estético ou jogar fora sobras ainda fazem parte da rotina doméstica.
Outro dado relevante aponta que 93,9% dos brasileiros associam o desperdício à perda de dinheiro, evidenciando que a questão é percebida principalmente sob a ótica econômica, mais do que ambiental ou social.
O estudo também destaca que 57,2% da população apresenta baixo engajamento com o tema, especialmente entre grupos mais vulneráveis. Embora 82% demonstrem interesse em aprender mais sobre o assunto, apenas 27% buscam informações de forma ativa.
Na prática, hábitos conscientes coexistem com comportamentos que favorecem o desperdício. A maioria afirma planejar compras e reaproveitar alimentos, mas fatores como falta de tempo, organização e informação dificultam a adoção consistente dessas práticas.
A responsabilidade pelo problema é vista como compartilhada. O governo aparece como principal agente na solução, seguido por supermercados, indústria de alimentos e consumidores. A percepção reforça a necessidade de ações coordenadas entre setor público, iniciativa privada e sociedade.
A pesquisa também evidencia o papel central das mulheres na gestão alimentar doméstica. Elas são maioria entre os responsáveis pelas compras e preparo dos alimentos, o que indica um ponto estratégico para políticas e campanhas de conscientização.
Para os organizadores do estudo, o principal desafio está em transformar a preocupação já existente em ação concreta. A baixa priorização do tema na agenda pública e a naturalização de pequenos desperdícios no dia a dia ainda limitam avanços mais consistentes no combate ao problema.
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