O lançamento do Atlas das Mulheres do Espírito Santo, previsto para o dia 26 de março, apresenta um retrato aprofundado das desigualdades de gênero no estado e reforça a urgência da implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5), da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que trata da igualdade de gênero e do empoderamento de mulheres e meninas.
Elaborado a partir de uma metodologia inédita que combina dados estatísticos e escuta direta, o estudo reuniu informações de mais de 1,4 mil mulheres em diferentes contextos sociais e territoriais, evidenciando a complexidade das desigualdades e a necessidade de políticas públicas mais específicas.
O material dialoga diretamente com as metas do ODS 5 ao expor situações de discriminação, violência e desigualdade econômica. Um dos dados centrais aponta que 48,14% das mulheres entrevistadas são as principais provedoras de seus lares, o que demonstra avanço no protagonismo econômico feminino, mas também evidencia a sobrecarga associada ao trabalho doméstico não remunerado.
Esse cenário reforça um dos pontos estruturantes do ODS 5, que prevê o reconhecimento e a valorização do trabalho de cuidado, historicamente invisibilizado e concentrado nas mulheres.
A pesquisa também evidencia barreiras no acesso a oportunidades econômicas, especialmente quando analisadas sob a perspectiva racial. Mulheres negras e pardas permanecem na base da pirâmide social, com menor remuneração e maiores dificuldades de inserção no mercado de trabalho qualificado. O dado reforça a dimensão interseccional prevista na Agenda 2030, que orienta políticas públicas mais inclusivas e equitativas.
No campo da educação, o Atlas aponta que mulheres de áreas rurais e comunidades tradicionais apresentam níveis mais baixos de escolaridade, muitas vezes em razão de abandono precoce da escola, dificuldades de acesso e preconceito. A limitação educacional impacta diretamente a autonomia econômica e a participação social, aspectos centrais do ODS 5.
Outro ponto de destaque está na participação feminina na ciência. Embora as mulheres sejam maioria na base acadêmica, sua presença diminui ao longo da carreira, chegando a apenas 27% entre pesquisadores com mais de 21 anos de atuação. O dado evidencia a necessidade de políticas que garantam igualdade de oportunidades e condições de permanência, especialmente considerando fatores como a maternidade.
A violência contra a mulher, uma das principais metas de enfrentamento do ODS 5, também aparece de forma contundente no levantamento. Mulheres em situação de rua relataram exposição constante à violência física e sexual, além da falta de acesso a itens básicos, como produtos de higiene, evidenciando a dimensão extrema da vulnerabilidade social.
O atlas ainda revela que a discriminação racial e de gênero se manifesta no acesso a serviços públicos, afetando principalmente mulheres de comunidades tradicionais, como quilombolas, indígenas e ciganas. Esses relatos apontam para a necessidade de qualificação dos serviços públicos, alinhada às diretrizes do ODS 5 de combate à violência e à discriminação em todas as esferas.
Para o Instituto Sustentabilidade Brasil (ISB), que atua com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o levantamento reforça que a igualdade de gênero não é apenas uma pauta social, mas um eixo estruturante do desenvolvimento sustentável. Os dados mostram que avanços dependem da integração entre políticas públicas, participação social e produção de conhecimento qualificado.
Ao trazer as vozes das mulheres para o centro do debate, o atlas se consolida como ferramenta estratégica para orientar ações concretas, contribuindo diretamente para o cumprimento das metas do ODS 5 e para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e sustentável.
Segundo a secretária de Estado das Mulheres, Jacqueline Moraes, o Atlas das Mulheres foi pensado durante a criação da secretaria, em 2023, quando o planejamento estratégico foi desenhado. “A ideia é que esse formato de escuta das mulheres seja aplicado de tempos em tempos e se renove sempre que
necessário para atender às mulheres em suas interseccionalidades. Um dos pontos de destaque desta obra são as nuvens de palavras. Elas mexeram muito comigo, porque ali você vê claramente a diferença de sentimentos em cada segmento e como as mulheres são múltiplas e devem ser cuidadas nessas suas peculiaridades quando nós que estamos à frente das políticas públicas vamos tomar decisões”, destacou.
Serviço
Lançamento do Atlas das Mulheres do Espírito Santo
Data: 26 de março
Horário: a partir das 9 horas
Local: Hotel Comfort Suites, Praia do Canto, Vitória (ES)
A programação inclui apresentação dos dados do Atlas, debate sobre interseccionalidade e reflexões sobre políticas públicas para mulheres
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