A crescente centralidade da agenda climática e seus efeitos sobre a política ambiental brasileira estarão no centro do Seminário Políticas do Clima: Entre Ideias, Mundos e Mobilizações, que acontece nos dias 23, 24 e 25 de março de 2026, no Hub ES+, no Centro de Vitória (ES). O evento propõe um espaço interdisciplinar de debate sobre clima, política e suas implicações para o ambientalismo, a ação coletiva e a justiça socioambiental.
“O seminário traz um espaço para reflexão e debate depois da COP30. A ideia é fazer um balanço do que aconteceu, do que foi proposto e também das perspectivas de futuro”, afirma a coordenadora do evento, professora Cristiana Losekann Work, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Mesa de balanço
Segundo ela, a programação inclui uma mesa específica de balanço. “Vamos ter, inclusive, uma mesa de balanço, com a participação de pessoas que estiveram na Cúpula dos Povos. A proposta é justamente promover um debate de balanço sobre a Cúpula dos Povos e a COP30”, explica.
Cristiana destaca que o seminário abordará um debate central do campo ambiental. “Trata-se de uma discussão que envolve um debate clássico e importante, que é a relação entre o conservacionismo e o socioambientalismo. Vamos trazer uma conferencista que tem pesquisa na área de arqueologia no Pará, ligada a um grupo importante que lidera esse tema no Brasil, e que mostra que as florestas são resultado da interação entre humanos e natureza”.
Nesse sentido, ela reforça que a política ambiental não pode ser dissociada das dimensões sociais. “Não se trata, portanto, de esperar uma política ambiental completamente isolada do social e dos humanos”.
Seminário Políticas do Clima: conhecimento científico e tradicional
A programação do Seminário Políticas do Clima inclui mesas que discutem a relação entre conhecimento científico e conhecimento tradicional. “Vamos contar com a participação de cientistas e lideranças indígenas”, acrescenta.
Assim, o seminário também abre espaço para o diálogo com a arte. “Teremos um debate com experiências artísticas, para o qual convidamos artistas-pesquisadores do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, que vão apresentar reflexões sobre formas de pensar a política ambiental a partir da arte”.
Além disso, outro eixo da programação são os cursos. “O seminário contará com dois minicursos, nos quais esperamos aprofundar debates muito atuais. São temas que quase não aparecem nas agendas tradicionais da política ambiental e que estamos trazendo para o centro da discussão”.
Um deles, explica, abordará a desinformação climática, com foco no contexto eleitoral, e o outro tratará da justiça azul. “Fala-se muito em Economia Azul e estamos vivendo a Década do Oceano, mas queremos trazer uma perspectiva a partir da justiça. A proposta é discutir o que é Justiça Azul”.
Rede Climatizando
Além disso, a professora destaca a apresentação dos produtos da Rede Climatizando. “Vamos apresentar os principais produtos da Rede Climatizando, uma rede de pesquisa que envolve universidades como a Universidade Federal do Espírito Santo, a Universidade Federal do Pará, instituições do Rio Grande do Sul, da Bahia, de Pelotas e do Rio de Janeiro.”
Serão apresentados dois painéis com bancos de dados quantitativos. “Um deles mostra a litigância climática no Brasil. O outro, inédito no país, reúne dados sobre políticas estaduais”.
Dessa forma, segundo Cristiana, a base permite análises longitudinais por tipo de política, como mitigação e adaptação. “Acreditamos que esse material será um instrumento de referência no país e, quem sabe, até internacionalmente”.
“O objetivo central do seminário é provocar esse debate a partir de uma perspectiva de balanço da COP30, já considerando o contexto político pré-eleitoral”, resume.
Continuidade
Esta será a segunda edição do seminário promovido pela Rede Climatizando. A edição anterior ocorreu em 2024, no Rio de Janeiro, na CPDA/UFRRJ. Assim, a iniciativa dá continuidade a projetos financiados por agências de fomento à pesquisa e conta com chancela da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), reforçando sua relevância acadêmica e institucional.
Assim, o Seminário Políticas do Clima reúne participantes de todo o país, incluindo pesquisadores do Pará, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, além de representantes do Instituto Nacional da Mata Atlântica, da Ufes, de sindicatos do Espírito Santo e de lideranças indígenas. Além disso, estão confirmadas organizações não governamentais como o Idec e o Instituto Democracia em Xeque, especialmente nos debates sobre desinformação climática.
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