Da escola às hortas urbanas: lideranças do Maranhão unem educação e agroecologia

No SustentaCast, Gabriela Monteiro e Josewania Coelho relatam como o Cursinho Popular de Boas e um projeto do MDA transformam territórios urbanos e periurbanos do Maranhão com formação, produção de alimentos e organização comunitária

Maranhão Deboas

“A educação é um ato de amor e, por isso, um ato de coragem”, escreveu o educador brasileiro Paulo Freire, uma ideia que ganha forma concreta em iniciativas de educação popular e agroecologia no Maranhão. É o que mostram duas líderes maranhenses que, em entrevista ao SustentaCast, detalharam como a combinação entre ensino crítico, organização comunitária e cuidado com a terra tem transformado a vida de comunidades em São Luís e no interior do estado. As experiências revelam impactos sociais que vão além da sala de aula, fortalecendo autonomia, inclusão e desenvolvimento local.

Segundo Josewania, o Cursinho DeBoas surgiu em 2017 com uma sala no centro de São Luís e se consolidou como uma iniciativa voltada à classe trabalhadora, indo além do modelo tradicional de preparação para vestibulares. A rede, afirma, já ultrapassou 300 aprovações, incluindo jovens, adultos e idosos, e mantém uma proposta de formação que integra dimensões pedagógicas, políticas e ambientais.

A expansão do cursinho, de acordo com as entrevistadas, ocorreu com base em trabalho voluntário e articulações dentro de instituições de ensino. Hoje, a iniciativa mantém núcleos ativos e busca ampliar a presença para além da capital.

Agroecologia no Maranhão

No diálogo, a agroecologia aparece como extensão prática da formação. Josewania descreveu o projeto de Agricultura Urbana coordenado no Maranhão dentro de uma agenda do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), voltado a transformar áreas ociosas e espaços degradados em hortas produtivas. Em São Luís, a iniciativa atua em três territórios: uma escola localizada em um quilombo urbano no bairro da Liberdade, a comunidade periurbana de Coquilho e o residencial João do Vale, na periferia da área central.

Dessa forma, o modelo, segundo ela, combina oficinas, acompanhamento técnico e ações de educação ambiental. Entre as atividades mencionadas estão práticas de compostagem e controle agroecológico, seguidas de monitoramento para garantir aplicação correta e continuidade. Assim, em Coquilho, a produção já resultou na comercialização do excedente e geração de renda, com registros de vendas em feirinhas, além do auto abastecimento das famílias envolvidas.

Assim, Gabriela reforçou o papel da juventude na agenda climática a partir da realidade das periferias, onde os impactos de ondas de calor, falta de saneamento e esgoto a céu aberto se somam às desigualdades históricas. Além disso, ela relacionou esse cenário ao debate sobre racismo ambiental e destacou que, nos territórios, são as mulheres as mais atingidas e também as que mais puxam processos de organização e resposta coletiva.

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