Pesquisar
BEABÁ DA SUSTENTABILIDADE

ASSISTÊNCIA TÉCNICA – Programa ABC Cerrado busca levar conhecimento e assistência técnica para produtores rurais


1/1/2017

Sistema ILPF é uma das categorias do Programa ABC Cerrado
Cerca de 80% de toda a área de pastagem do Cerrado possui algum tipo de degradação, segundo levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Esse é um dado que incomoda, mas Goiás está a um passo para contribuir para dar uma guinada nessa realidade. Isso porque a recuperação das pastagens é uma das prioridades do Programa ABC, que está em sua segunda etapa no Estado. Nesse momento, serão capacitados 400 produtores rurais também em outras três categorias: Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), Sistema Plantio Direto e Florestas Plantadas.
Desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (Senar-Goiás), o Programa ABC Cerrado, é uma ação conjunta com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Embrapa. A iniciativa conta com US$ 10 milhões do Programa de Investimentos em Florestas (FIP, sigla em inglês) do Banco Mundial. Vale lembrar que o projeto está sendo desenvolvido em sete estados do bioma Cerrado: Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Minas Gerais, Maranhão e Piauí, além do Distrito Federal. A meta, é de em quatro anos, capacitar aproximadamente 12 mil produtores rurais e levar assistência técnica a 2 mil propriedades em Minas Gerais, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Maranhão.
A ideia é disseminar práticas de agricultura de baixa emissão de carbono e sensibilizar o produtor, para que ele invista na sua propriedade – a fim de aumentar a renda – mas preservando o meio ambiente. Para tanto, o Senar-Goiás selecionou 20 profissionais para prestar assistência técnica a produtores rurais pulverizados em todo o estado. Na primeira etapa do projeto, foram realizados 16 seminários de mobilização nas diversas regiões, com o objetivo de apresentar o programa aos produtores rurais. Agora, nessa nova etapa, são 20 turmas formadas em média, por 15 produtores rurais. A carga horária de capacitação dos quatro módulos é de 56 horas.
Além da abordagem em benefícios produtivos, ambientais e econômicos na utilização de tecnologias sustentáveis de produção agropecuária, dos principais modelos e técnicas para implantação das tecnologias nas propriedades e gerenciamento de atividades agropecuárias, os produtores receberão 18 visitas técnicas (uma por mês), gratuitamente. Haverá também sorteios para selecionar quem será agraciado com a prestação de serviços.
O coordenador do Programa, Douglas Vilaverde (foto abaixo), explica que, por conta do perfil goiano, a maior demanda está relacionada à recuperação de pastagem, corroborando o dado revelado por pesquisas. As degradações ocorrem por falta de reposição nutricional, excesso de animais por hectare e falta de utilização de técnicas de conservação de solo. Essa é uma característica da pecuária extensiva com baixo aporte tecnológico. Segundo ele, essa é uma realidade que precisa reverter.
O engenheiro agrônomo Leonnardo Furquim (foto abaixo), emenda que é necessário combater todas as situações e ressalta, inclusive, que o sistema de plantio direto já é bastante difundido em Goiás, enquanto que o sistema ILPF ainda é considerado uma tecnologia nova e de altíssimo potencial. “Em todos os módulos, o produtor aprende que pode realizar práticas ambientais, contribuir social mente com a sustentabilidade e ainda ter maior retorno financeiro, já que terá aumento de produtividade”, explica ele.



É nesse momento da engrenagem que entram profissionais como o médico veterinário Fúlvio Costa (foto abaixo). Pós-graduado em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), já carrega mais de uma década de experiência em assistência em gestão agrária. Ele vai assessorar num aspecto que costuma ser o calo nos pés dos produtores. “Os produtores estão muito mais atentos à gestão. Nos últimos anos, ele vem percebendo que somente ter o conhecimento técnico não é suficiente para ter retorno nos negócios. Hoje não consigo atender a demanda que eu tenha”, afirma.



Presidente do Sindicato Rural (SR) de Anápolis, Pedro Olímpio Neto (foto abaixo), afirma que 15 produtores rurais da região passaram, recentemente, pela capacitação profissional dos quatro módulos presentes no Programa ABC Cerrado. “Não tivemos dificuldades em reunir o grupo que, aliás, criou-se uma expectativa muito grande”, diz.



O produtor afirma que o módulo que despertou maior interesse foi o de recuperação de pastagem. Como ele, muitos são produtores de gado de leite e corte e miraram na oportunidade de melhorar o desempenho da propriedade, além de contribuir com o meio ambiente. Pedro explica, independentemente, da sorte do produtor em ganhar a assistência técnica gratuita, a realização do curso já amplia sua linha de horizonte. “Esclareceu muita coisa para nós e só reforça meu pensamento de que o ser humano nunca pode parar de estudar", diz. E acrescenta que já começou a implantar a curva de nível em sua propriedade entre outras dicas repassadas pelo instrutor. “Muitas são simples que não precisam disponibilizar de recursos, mas que ajudam muito o produtor”, afirma.
Abílio Pacheco, pesquisador da Embrapa e proprietário da fazenda Boa Vereda, onde todos os 250 hectares estão implantados o sistema ILPF, é um entusiasta do modelo e, obviamente, do Programa ABC Cerrado. “Esse programa é de grande utilidade", afirma. A propriedade é considerada modelo: enquanto a produção média nacional da pecuária de corte é de oito arrobas por hectare, lá são 18; da média de 33 metros quadrados de eucalipto na área, Boa Vereda tira 43 metros.



"Nenhum ano fiz como o anterior, fui percebendo que poderia melhorar e hoje a integração é completa", diz. Todo ano, conta, os resultados confirmam que a integração é o caminho mais sustentável. Para pulverizar os conhecimentos, Abílio não foge dos compromissos. Com forte frequência, viaja para os quatro cantos do país repassando a experiência de sucesso. “Ouvi de um pesquisador que o plantio direto demorou um tempo para estar implantado em todos os cantos como hoje. Por isso, acredito que o sistema integrado é uma questão de tempo", diz.




fonte: Revista CAMPO | Karlna Ribeiro | revistacampo@faeg.com.br

Marcas da Sustentabilidade